Europa identifica laboratórios clandestinos para refino de cocaína em escala industrial e alerta sobre nova dinâmica do narcotráfico
PF monitora nova dinâmica do tráfico de cocaína Autoridades brasileiras têm sido alertadas nos últimos meses por investigadores e agências da Europa sobre uma mudança na dinâmica do tráfico internacional de cocaína a partir do Brasil: organizações criminosas transnacionais, como o Primeiro Comando da Capital (PCC), têm enviado ao continente a droga em pasta-base ou ocultada quimicamente em materiais para exportação, para que a etapa final de extração seja feita em laboratórios clandestinos em território europeu e a cocaína refinada, pronta para consumo, seja vendida.
Assim, a Europa deixou de ser apenas um grande mercado consumidor e tem assumido papel cada vez mais relevante no processamento da droga.
A informação consta em investigações da Polícia Federal e relatórios da Agência da União Europeia sobre Drogas (EUDA), e foi compartilhada em reuniões internacionais sobre novas dinâmicas do crime organizado.
Em 2024, países da União Europeia desmantelaram pelo menos 42 laboratórios usados no processamento de cocaína em pó, 23,5% a mais do que em 2023.
Segundo a EUDA, as apreensões de pasta-base destinadas à Europa têm alcançado médias superiores a 700 quilos por operação, o que indica uma atividade em escala industrial.
Holanda, Bélgica, Espanha e Portugal concentram boa parte dos laboratórios para refino da cocaína, enquanto os portos de Antuérpia (Bélgica) e Roterdã (Holanda) seguem como as principais portas de entrada da droga na União Europeia.
No ano passado, agentes da Guarda Civil, em conjunto com a Europol e a Agência Antidrogas dos Estados Unidos (DEA), apreenderam 21 tambores de produtos químicos usados na extração e processamento de cocaína em um laboratório clandestino nos arredores de Madri.
Entre os presos estavam espanhóis e um colombiano, suspeitos de importar toneladas de cocaína e folhas de coca da América do Sul para a Espanha.
O grupo fretava veleiros para levar a droga e recrutar jovens com experiência marítima e sem antecedentes criminais.
Infográfico: Rotina 'industrial' de cocaína na Europa Arte/GloboNews Em Portugal, a Operação Pacoba foi considerada uma das principais ações nos últimos anos na Europa.
Os agentes estouraram um laboratório com capacidade industrial para extração, refino e empacotamento de cocaína.
Sete pessoas presas (quatro cidadãos portugueses, dois colombianos e um marroquino) e 1,5 tonelada da droga apreendida, além de produtos químicos usados no processo ilegal.
Outro caso recente foi descoberto pela Polícia Federal, em São Paulo.
Uma carga brasileira de produtos de higiene pessoal a caminho da Europa escondia a cocaína em frascos de xampu.
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