STJ manda TRF recalcular pena de acusado de monitorar alvos judaicos para o Hezbollah em MG
Lucas Passos Lima, acusado de envolvimento com o Hezbollah, durante audiência Reprodução/Fantástico A Sexta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinou que o Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF-6) faça uma nova análise da pena de Lucas Passos Lima, condenado por integrar uma organização terrorista ligada ao Hezbollah.
A decisão foi unânime e pode resultar no aumento da punição aplicada ao réu.
Lucas foi alvo da Operação Trapiche, investigação que apurou o monitoramento de possíveis alvos judaicos em Minas Gerais e em outras partes do país.
Segundo a acusação, ele viajou ao Líbano em 2023 para receber treinamento e, após retornar ao Brasil, passou a reunir informações que poderiam ser usadas em ações terroristas. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Minas no WhatsApp De acordo com a denúncia, o acusado fez registros em vídeo e fotografia de sinagogas, do Cemitério Israelita e da Embaixada de Israel.
Os investigadores também apontaram que ele coletou informações sobre líderes religiosos judaicos, tentou recrutar outras pessoas, recebeu treinamento com armas de fogo e procurou rotas para deixar o país sem passar pelo controle migratório.
Ele teria integrado a organização por motivos financeiros, mas, posteriormente, passou a adotar um discurso antissemita.
Segundo dados da Confederação Israelita do Brasil (Conib), Minas Gerais tem cerca de 800 famílias judaicas, que reúnem aproximadamente 4 mil pessoas.
A maior parte vive em Belo Horizonte.
Investigações da PF evitaram atentado contra judeus no Brasil Caso teve repercussão internacional, diz MPF Nos memoriais apresentados ao STJ, o Ministério Público Federal (MPF) afirmou que a Operação Trapiche teve repercussão internacional e passou a ser citada em estudos sobre segurança e contraterrorismo.
Segundo o órgão, um estudo da RAND Corporation, divulgado em 2025, apontou a investigação brasileira como um dos principais casos recentes relacionados à atuação do Hezbollah na América Latina.
O International Institute for Counter-Terrorism, por sua vez, avaliou que o caso poderia indicar uma mudança na estratégia do grupo, com o recrutamento de brasileiros pagos para levantar informações sobre possíveis alvos judaicos.
O MPF sustentou que uma eventual motivação financeira dos envolvidos não afastaria a caracterização de terrorismo.
Para os procuradores, o pagamento poderia fazer parte da estratégia operacional da organização.
O órgão também argumentou que o entendimento adotado pelo TRF-6 seria diferente de diretrizes e estudos internacionais sobre terrorismo e crime organizado transnacional.
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