Receber juros todo mês pode fazer você ganhar menos?
Michael Viriato escreve sobre como cuidar do seu dinheiro, poupar e planejar o futuro
Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.
Receber juros todos os meses parece melhor do que esperar anos para ter acesso ao rendimento de um investimento. Afinal, dinheiro entrando regularmente na conta transmite a sensação de que o patrimônio está trabalhando.
Mas essa preferência pode custar caro. Dependendo do destino dos pagamentos, receber juros antecipadamente pode reduzir a riqueza acumulada, embora, em outras situações, ajude a diminuir riscos.
Na renda fixa, existem títulos que pagam juros mensalmente, semestralmente ou apenas no vencimento. Os títulos públicos Tesouro IPCA + com juros semestrais, por exemplo, distribuem pagamentos a cada seis meses, enquanto outros títulos acumulam os rendimentos até o vencimento. A diferença não está necessariamente na rentabilidade oferecida, mas na maneira como o dinheiro chega ao investidor.
É importante compreender que os juros recebidos não representam um ganho adicional. Quando um título paga um cupom, parte de seu valor econômico é transferida para a conta do investidor, e seu preço é ajustado para refletir essa distribuição. Portanto, não faz sentido comparar dois investimentos olhando apenas para o dinheiro que um deles deposita periodicamente.
O principal efeito dos pagamentos antecipados aparece quando pensamos no reinvestimento. Considere R$ 100 mil rendendo hipoteticamente 10% ao ano durante dez anos. Se os juros forem integralmente reinvestidos à mesma taxa, o patrimônio chegará a aproximadamente R$ 259 mil. Se, em vez disso, o investidor retirar R$ 10 mil por ano para consumir, terá recebido R$ 100 mil ao longo do período e continuará com R$ 100 mil aplicados.
A diferença de quase R$ 59 mil não significa que o título que paga juros periodicamente seja pior. Ela aparece porque, no segundo caso, os rendimentos foram consumidos e deixaram de produzir novos juros. Se todos os pagamentos fossem reinvestidos à mesma taxa, o resultado bruto poderia ser equivalente. O problema é que essa possibilidade nem sempre existe.
Esse é o chamado risco de reinvestimento. Quem compra um título com remuneração atrativa e recebe juros periodicamente precisa encontrar novas aplicações para esse dinheiro. Se as taxas de mercado caírem, poderá reinvestir os pagamentos a uma rentabilidade inferior àquela contratada originalmente.
Já em um título sem pagamentos intermediários, mantido até o vencimento, a remuneração contratada não depende de encontrar novas taxas para os juros recebidos ao longo do caminho.
Existe ainda o efeito dos impostos. Nos títulos tributáveis, o recebimento periódico de juros normalmente provoca a cobrança de Imposto de Renda sobre cada pagamento.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.