Saiba como a síndrome do impostor pode afetar sua carreira e travar promoções
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"Será que eles sabem que eu não sei ainda?" A pergunta passou pela cabeça de Marcela Rocha, 38, no início da carreira no mercado financeiro. Hoje, ela é CIO (Chief Investment Officer, ou diretora de investimentos) da Avenue, corretora de investimentos no exterior do Itaú —e conta não ter chegado ainda a um ponto no qual se sente confortável e confiante.
Na edição de hoje, o psicólogo Wanderley Cintra, especialista em trabalho, explica a síndrome do impostor e como reconhecê-la, enquanto a executiva conta como conviveu com ela —e seus truques para não se deixar levar pelos pensamentos negativos.
O que é? A síndrome do impostor é um mecanismo psicológico frequente em pessoas extremamente exigentes consigo mesmas, segundo Cintra. A régua é tão alta a ponto de o trabalho nunca parecer bom.
Daí o nome: a pessoa se considera insuficiente e se vê como uma impostora naquela função.
Sentindo na pele. Marcela vem de uma família em que os pais não fizeram faculdade. Aos 16 anos, ganhou dos pais a carteira de trabalho para ajudar na renda da casa e começou como secretária numa escola de inglês. Fez economia à noite, estagiou em um banco e, aos 25 anos, virou, nas palavras dela, "meio que economista-chefe" da empresa em que ficaria por 13 anos.
Ao entrar no mercado, sentiu-se "atrasada". Segundo ela, a maioria dos colegas vinha de universidades de ponta, e várias faculdades já preparavam o aluno para lidar com produtos financeiros e alocação de portfólio —atividades comuns para quem trabalha no setor financeiro.
A sensação voltava a cada novo posto, inclusive no convite para chefiar a área de investimentos da Avenue, onde atua hoje: "Estou pronta? Não, não estou pronta, mas vamos".
Sinais . Aí vão alguns sinais listados pelo psicólogo associados à síndrome:
E agora? Se reconheceu na lista? Aí vão algumas saídas apontadas pelos entrevistados:
Cuidado. A pessoa "se sabota mesmo sabendo que ela tem, no fundo, boas qualidades", diz Cintra. Ele alerta para o risco de tratar a síndrome como identidade, ou seja, achar que não tem saída para esse tal complexo de inferioridade.
↳ Pessoas que fazem isso têm maior probabilidade de se esquivar de chances aptas a alavancar sua carreira, pensando não serem capazes de alcançar as expectativas da liderança.
Ainda, há ambientes de trabalho que reforçam a sensação de insuficiência: lideranças muito críticas e cobranças excessivas de superiores podem gerar insegurança mesmo em quem não tem predisposição para tal.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.folha.uol.com.br — o conteúdo pertence a Folha de S.Paulo.