'A Ilha Esquecida' mistura hip hop e anime para dar vida ao folclore filipino
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Seres metamorfos habitam o folclore filipino, como sereias e demônios saqueadores de sonhos. Esse universo fantástico ganha vida com pinceladas neon frenéticas em "A Ilha Esquecida", nova animação da Dreamworks que renova a audácia do estúdio dono de franquias lucrativas como " Shrek ", " Como Treinar Seu Dragão " e "Kung Fu Panda".
São tempos em que estúdios vêm enfrentando críticas pela extensão interminável de suas histórias e por uma percela de títulos pouco empolgantes. Ainda assim, a Dreamworks tem conseguido emplacar produções frescas, como fez com " Robô Selvagem ", dedicado a examinar a maternidade pelos olhos de um autômato. O filme chegou à corrida pelo Oscar no ano passado.
Outro trunfo foi " Gato de Botas 2: O Último Pedido ". Anunciado sob a desconfiança de que seria uma extensão caça-níquel, o longa surpreendeu ao abordar de forma criativa os efeitos da ansiedade e do pânico. O filme também apostou na mistura da estética tridimensional, que hoje domina as animações comerciais, com traços 2D de diferentes estilos. A técnica vem se tornando cada vez mais frequente desde "Homem-Aranha No Aranhaverso", de 2018.
Foi com o "Gato de Botas 2" que os diretores e roteiristas Joel Crawford e Januel Mercado ganharam a confiança para, agora, criar "A Ilha Esquecida". No novo filme, a mixagem de diferentes padrões de ilustração foi elevada à máxima potência, em um ritmo frenético que emula a personalidade caótica de Jo, a protagonista, e a cultura hip hop filipina da qual ela é fã.
A animação incorpora trejeitos típicos dos animes, desenhos japoneses que estendem sua popularidade a países asiáticos vizinhos. O traço foi usado também em "Guerreiras do K-pop", filme fenômeno da Netflix que foi coroado com o Oscar de animação neste ano.
A estética colorida e caótica serve à história do filme, diz Mercado, ambientado nos anos 1990, época que antecipou o mundo digital. As fotografias ainda eram impressas e as mensagens escritas com punho, papel e caneta.
"O público, principalmente a geração mais jovem, sente falta do que é palpável", diz Crawford. "Tenho três filhos adolescentes que me pedem uma câmera polaroide e CDs. Hoje, temos celulares e tiramos milhares de fotos, mas nunca mais olhamos para elas. Há algo de especial naquilo que é palpável e temporário."
"A Ilha Esquecida" acompanha Jo e Raissa, que se conhecem na escola ainda crianças e firmam uma amizade até o começo da vida adulta. As duas trocam cartinhas, gravam músicas em CDs uma para a outra e carregam pulseiras com vários pingentes, cada um para representar algum momento especial vivido juntas. Mas a relação fica balançada quando Raissa anuncia a mudança para os Estados Unidos, onde fará faculdade.
Enquanto Jo é revoltada e explosiva, sem muitos planos para o futuro, Raissa é estudiosa e certinha. Criada por uma família tradicional, ela se tornou um refúgio seguro para Jo, abandonada pelo pai e criada pela avó.
Uma noite antes do voo de Raissa, as duas encontram a chave do portal para Nakali, cenário fantástico das histórias da avó de Jo.
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