Dívida bruta fica em 82,9% do PIB, diz Banco Central
Endividamento chega a R$ 11,1 trilhões e sobe 11,2 pontos percentuais desde o início do governo Lula; juros somam R$ 1,2 trilhão
A Dívida Bruta do Governo Geral permaneceu em 82,9% do PIB (Produto Interno Bruto) em setembro de 2026, mesmo patamar de agosto . O endividamento brasileiro alcançou R$ 11,1 trilhões, segundo dados do Banco Central . O resultado foi divulgado nesta 5ª feira (29.out.2026). Eis a íntegra (PDF – 377 kB).
Apesar da estabilidade mensal, a dívida bruta acumula alta de 4,3 pontos percentuais do PIB em 2026. Desde o início do 3º mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o indicador avançou 11,2 pontos percentuais.
Em dezembro de 2022, antes da posse do petista, a dívida bruta correspondia a 71,7% do PIB. O percentual atual é o maior desde março de 2021, quando o endividamento estava em 85,1% do PIB, diante dos efeitos da pandemia de covid-19 sobre as contas públicas.
A dívida bruta compreende o governo federal, o Instituto Nacional do Seguro Social e os governos estaduais e municipais. O indicador é acompanhado por investidores e economistas para avaliar a trajetória do endividamento e a capacidade do governo de honrar suas obrigações.
Segundo o BC, a alta da dívida em 2026 foi influenciada principalmente pela incorporação dos juros nominais, que acrescentaram 7,2 pontos percentuais à relação dívida/PIB (Produto Interno Bruto). As emissões líquidas de títulos contribuíram com mais 1,1 ponto percentual.
Em sentido contrário, o crescimento do PIB nominal reduziu a relação em 3,9 pontos percentuais, enquanto a valorização cambial contribuiu com redução de 0,2 ponto percentual.
Em setembro, os juros nominais acrescentaram 0,8 ponto percentual à dívida bruta, mas o efeito foi compensado pelos resgates líquidos de dívida e pelo crescimento do PIB nominal, que reduziram a relação em 0,4 ponto percentual cada.
Os juros nominais do setor público consolidado somaram R$ 1,205 trilhão no acumulado de 12 meses até setembro, o equivalente a 8,99% do PIB.
O valor representa um aumento de R$ 220,2 bilhões em relação ao mesmo período de 2025, quando os juros alcançaram R$ 984,8 bilhões, ou 7,86% do PIB.
Só em setembro, os juros nominais somaram R$ 107,5 bilhões, ante R$ 84,7 bilhões no mesmo mês de 2025. O aumento foi de R$ 22,8 bilhões, ou 26,9%.
Segundo o BC, contribuíram para a elevação o resultado menos favorável das operações de swap cambial, o crescimento do estoque da dívida e a inflação medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo).
As operações de swap cambial registraram ganho de R$ 2,8 bilhões em setembro de 2026, ante R$ 13,4 bilhões no mesmo mês do ano anterior.
A taxa básica de juros, a Selic, está em 13,75% ao ano. O patamar elevado encarece o financiamento da dívida pública e pressiona o resultado das contas do governo.
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