Falta de planejamento fazia Consórcio agir na urgência e encarecia manutenção
A falta de planejamento aparece como um dos principais problemas identificados pela intervenção da Prefeitura de Campo Grande no Consórcio Guaicurus.
O diagnóstico preliminar, entregue nesta terça-feira (22) mostra que áreas fundamentais para manter os ônibus em circulação funcionavam de maneira predominantemente reativa, com compras feitas em caráter emergencial, estoques sem parâmetros formais de reposição, informações divergentes entre o sistema e as prateleiras e uma base restrita de fornecedores.
O problema, segundo o relatório, não estava concentrado nos funcionários que executavam as atividades, mas na estrutura de gestão encontrada pela equipe que assumiu o contrato.
Profissionais experientes e com conhecimento acumulado durante décadas foram mantidos como patrimônio técnico das empresas, mas trabalhavam em um ambiente marcado por controles manuais, sistemas pouco aproveitados, equipes reduzidas e ausência de procedimentos formalmente estruturados.
O diagnóstico também mostra que as deficiências de pessoal, capacitação, ferramentas, estrutura organizacional, segregação de funções e políticas de desenvolvimento eram, na avaliação da intervenção, resultado de decisões de gestão e de priorização de recursos.
O relatório ressalta que não seria adequado atribuir aos empregados limitações estruturais sobre as quais eles não tinham poder de decisão.
A recomendação é que a reestruturação aproveite justamente o conhecimento já existente, combinando a experiência dos funcionários mais antigos com capacitação contínua, renovação gradual das equipes, documentação dos processos, formação de sucessores e ferramentas adequadas.
A intenção é reduzir a dependência de esforços individuais para compensar problemas que deveriam ser resolvidos institucionalmente.
Sucata era tratada como descarte e peças recuperáveis eram perdidas - No eixo ambiental, a intervenção identificou outro problema que ultrapassava a questão do descarte.
Resíduos e sucatas produzidos nas atividades de manutenção das garagens eram historicamente tratados apenas como material a ser eliminado, sem controle patrimonial adequado ou valorização econômica.
O relatório aponta que não havia rotinas estruturadas de segregação, triagem e descarte qualificado.
Materiais metálicos com maior valor comercial, como cobre e alumínio, eram misturados à sucata ferrosa comum e descartados em lotes únicos e sem fiscalização.
A situação também atingia peças que poderiam ser reaproveitadas.
Componentes como alternadores e carcaças, segundo o diagnóstico, eram descartados sem triagem prévia, provocando dois efeitos: perda de uma possível receita acessória e necessidade de comprar novas peças pelo preço integral de mercado.
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