Por que o tempo de estudo supera o tempo de aula
Há poucas décadas, o sinal da escola tocava ao meio-dia ou às cinco da tarde, e o dia escolar estava encerrado.
O modelo de turno único dominava.
A criança ou o adolescente voltava para casa, almoçava em família e tinha diante de si a tarde ou a manhã inteiras.
Era o tempo do dever de casa na mesa da cozinha, do futebol na rua, da leitura sem apressamento, do tédio criativo e da convivência familiar.
Hoje, essa rotina soa quase pré-histórica.
A expansão da escola em tempo integral transformou o cotidiano das famílias e se tornou a grande promessa da educação moderna.
No entanto, convém fazer uma pausa reflexiva: essa jornada estendida atende prioritariamente às necessidades de aprendizagem dos alunos ou às demandas organizacionais dos pais? É inegável que a escola de tempo integral cumpre uma função social crucial no século XXI.
Com pai e mãe inseridos no mercado de trabalho em jornadas exaustivas, ter um local seguro para deixar os filhos durante todo o dia tornou-se uma necessidade prática inevitável.
Contudo, fundir a função de acolhimento social com a promessa de maior rendimento acadêmico pode ser um equívoco pedagógico.
Estar exposto a sete ou oito horas diárias de ambiente escolar não se traduz, automaticamente, em maior absorção de conhecimento.
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