Foto de Renan com Lula e pressão de Lira explicam reviravolta de JHC em AL
Nesse dia, a Polícia Federal cumpria mandados no Instituto de Previdência dos Servidores Municipais de Maceió, o Iprev , para investigar as suspeitas no aporte de R$ 97 milhões feito ao Banco Master.
JHC foi a Brasília nesse dia e pediu um encontro com o presidente Lula, que o recebeu fora da agenda. Ali, informou que estava desistindo da candidatura ao governo para disputar o Senado . Parecia ter entendido a ida de PF como um "recado" de Brasília.
Não há relatos sobre qual foi a reação de Lula, mas sabe-se que, após essa reunião, JHC comunicou a decisão de disputar o Senado ao presidente nacional do PSDB, Aécio Neves —que recebeu com surpresa e inicial contrariedade à mudança, mas ressaltou que daria liberdade para que ele decidisse.
O ex-prefeito se defendeu para Aécio dizendo que, sem disputar o governo, conseguiria se empenhar nas candidaturas ao Congresso, prometendo entregar dois deputados federais ao PSDB.
Além disso, citou que a saída da disputa ao Senado do deputado Alfredo Gaspar (PL) , para ser candidato a vice-presidente de Flávio Bolsonaro (PL), acabou sendo um "convite" para uma eleição aparentemente mais tranquila.
Mas daquela segunda-feira em diante, JHC sumiu do mapa. Parecia querer guardar segredo até a última hora, sem fazer nenhuma agenda pública, como era rotina quase diária desde abril. Nem aliados próximos conseguiam contato, e um suspense pairou no ar —JHC sequer foi a convenção estadual do partido no dia 5.
Até que na quinta-feira a informação da desistência de JHC vazou. Arthur Lira (PP-AL), aliado desde 2022 e que estava pronto para coligar na chapa e apoiar o tucano, soube da decisão não por JHC ou pessoas próximas dele, mas pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), que lhe contou sobre a reunião com Lula.
Lira ficou extremamente irritado, já que a vinda para disputa ao Senado colocaria a eleição dele em jogo —a disputa em Alagoas ainda inclui o senador Renan Calheiros (MDB), que vai tentar a reeleição.
A partir daí, teve início uma intensa uma pressão não só de Lira —que procurou o PSDB para reclamar da mudança de JHC—, mas de quase todos os aliados, que levaria JHC a mudar de decisão no dia seguinte.
Na quinta-feira, logo após o encontro de Lula e JHC vazar, uma imagem viria a ser determinante para nova reviravolta: Renan Filho (MDB) postou foto após encontro com o presidente Lula. Isso acabou sendo a munição final para os aliados, que não tinham outro nome competitivo para competir contra Renan àquela altura.
Um discurso era uníssono: JHC estaria entregando a eleição do governo para Renan em acordo com Lula. Os bolsonaristas, em especial, se revoltaram com a decisão. "Seria um suicídio político", disse o vereador e presidente do PL em Maceió, Leonardo Dias, comentando na sexta passada sobre a desistência de concorrer ao governo.
Nos bastidores, percebeu-se a repercussão do recuo de JHC foi maior que o esperado.
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