Senado vê 'janela' para aprovação de Pacheco no Supremo com votos até do PL
Aliados de Rodrigo Pacheco esperam que o presidente Lula (PT) indique até o fim do ano o ex-presidente do Congresso e atual ministro do TCU (Tribunal de Contas da União) para uma cadeira no STF (Supremo Tribunal Federal).
A solução é esperada por ministros do STF, auxiliares do presidente Lula, senadores da base e da oposição e, principalmente, pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). A vaga está aberta há um ano, após a aposentadoria de Luís Roberto Barroso. Alcolumbre, desde o início, tentou emplacar a indicação de Pacheco e, após não ser atendido, acabou impondo uma derrota histórica à nomeação de Jorge Messias , chefe da AGU (Advocacia-Geral da União).
Defensores da indicação de Pacheco afirmam que ele já teria votos suficientes para ser aprovado, aglutinando inclusive o apoio de senadores da direita. Isso porque, contam, o ex-presidente do Senado atuou para conter algumas investidas da própria Suprema Corte contra parlamentares do PL e que, por isso, ele seria respeitado pelo grupo.
Entre aqueles vistos como virtuais apoiadores de Pacheco está o senador Sergio Moro (PL-PR), recém-eleito para o governo do Paraná. Em 2024, conta-se nos bastidores, o então presidente do Senado atuou junto a magistrados para evitar ações que pudessem levar à cassação e à inelegibilidade do ex-juiz da Lava Jato.
Além disso, conta-se, o ex-presidente do Congresso também mantém uma relação respeitosa com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Em 1° de setembro, dia em que foi aprovado para a cadeira no TCU, Pacheco foi chamado de "grande constitucionalista" pelo filho de Jair Bolsonaro.
Ao mesmo tempo, Pacheco é próximo a figuras como o ministro Alexandre de Moraes, que está na mira da artilharia bolsonarista. Uma indicação dele é tratada como uma maneira de tentar levar equilíbrio às relações entre o Congresso e o Judiciário.
A expectativa é que Pacheco seja indicado ainda neste ano como uma forma de garantir que ele seja levado ao escrutínio de senadores com quem manteve relação na presidência do Senado, entre 2021 e 2025, e antes da posse da nova legislatura, em fevereiro do ano que vem.
Caso Lula confirme a indicação ao STF, será aberta uma corrida para a sucessão de Pacheco no TCU. Oficialmente, a cadeira seria de indicação do Senado, mas, em retribuição, avalia-se ceder a um nome de preferência do presidente da República. Entre os cotados estão a ex-ministra Simone Tebet e o senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), nomes que saíram derrotados na corrida eleitoral deste ano.
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