Na ONU, Rubio se aproxima de Lula, mas não o alcança e gesticula com Vieira
Em uma curiosa troca ao final do discurso de Donald Trump na Assembleia Geral da ONU, o presidente brasileiro Lula ia deixando a plenária, ladeado por seu chanceler, Mauro Vieira, quando o secretário de Estado Marco Rubio parece tentar se aproximar rapidamente de ambos para alcançar o líder brasileiro.
O UOL testemunhou e filmou a cena de uma distância que não permitia ouvir o que diziam as autoridades. O barulho na plenária - que se esvaziava após o fim da fala de Trump - era muito alto e pode ter impedido o entendimento entre eles.
Um embaixador brasileiro com conhecimento da situação afastou a interpretação de que pareceu haver qualquer animosidade, e disse que "Rubio é sempre muito cordial com Vieira, um cumprimento normal entre eles no meio da confusão ali".
Ontem, à rede CNN Internacional, Lula citou nominalmente Rubio ao citar preocupações com possível interferência eleitoral dos EUA no Brasil e relembrou a proximidade do político da Flórida em relação à família Bolsonaro. Não foi a primeira menção de Lula ao secretário de Estado, a quem responsabiliza pelo tarifaço contra o Brasil entre outras iniciativas que afetaram o país.
Para alguns diplomatas brasileiros ouvidos pelo UOL a cena pode sugerir uma tentativa de Rubio de falar diretamente com Lula, o que não seria aceitável pelo presidente brasileiro, por ser uma quebra de hierarquia.
Conforme os preceitos do Itamaraty, presidentes falam com presidentes, e secretários de Estado dialogam com chanceleres. Apesar disso, é comum que líderes da América Latina recebam o secretário de Estado. Há alguns dias, Rubio fez uma viagem à região em que se reuniu com o presidente colombiano Abelardo de la Espriella, com a peruana Keiko Fujimori e com o equatoriano Daniel Noboa. "Não sob o olhar de Mauro", afirmou um experiente diplomata que acompanhava a situação nos EUA.
A comunicação do Planalto não fez até agora comentários sobre a cena. O Departamento de Estado foi procurado para comentar quais eram as intenções do quase encontro e tampouco comentou até a publicação desta reportagem.
Em seu discurso, Lula mandou uma série de recados aos EUA sem citar Trump nominalmente. Criticou as políticas tarifárias do republicano e sua tentativa de dominar política e militarmente o continente americano. "O Brasil não cabe no quintal de ninguém", disse Lula, em uma referência a declarações recentes de Rubio de que a América Latina é "o quintal dos EUA".
Já Trump não mencionou nem Lula nem o Brasil em seu discurso. Os dois presidentes não se encontraram nos bastidores da ONU, como no ano passado.
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