Conselho da FIFA: com 'mea culpa' e dinheiro, Infantino esfria oposição e abafa crise
Na primeira reunião do Conselho da FIFA desde a fracassada iniciativa da FIFA Foward Enterprises - a empresa que venderia 20% dos direitos comerciais das competições da entidade para investidores privados -, realizada nesta quinta (15), Gianni Infantino saiu com a imagem relativamente fortalecida por três razões.
Primeiro, pelos reiterados pedidos de desculpas, considerados suficientes por diversos dos 37 dirigentes que compõe o órgão.
Segundo, pela confirmação da proposta de distribuição de US$ 25 milhões por ano para cada associação membro, como parte de programa de desenvolvimento de US$ 6,35 bilhões, a ser aprovada no congresso da entidade em dezembro.
Terceiro, pela incapacidade dos principais opositores em apontar alguma alternativa válida para próxima eleição, em março de 2027.
O único nome existente até agora é o do ex-jogador Ramon Vega, concorrente de Infantino em 2015, que se lançou sozinho e tem sido severamente ignorado pelas federações europeias mais vocais pela saída do mandatário, que buscará o seu quarto mandato.
Enquanto esperava-se que a reunião do Conselho poderia expor Gianni Infantino pelos seus polêmicos feitos recentes, o presidente da FIFA conseguiu manobrar, pedindo para que os membros elaborassem perguntas por escrito, que só serão respondidas na próxima reunião do órgão, em dezembro.
Sem concorrentes viáveis e com a disposição de compartilhar o caixa da FIFA com os países eleitores, Infantino vai aos poucos impedindo que ganhe tração o principal movimento opositor, liderado pela UEFA e algumas das suas federações.
E o prazo para a inscrição de candidatos termina no dia 18 de novembro.
Opositores de primeira ordem, o presidente da CONCACAF, Victor Montagliani, e o presidente da UEFA, Aleksander Ceferin, já afirmaram que pretendem manter seus cargos e não concorrerão à presidência da FIFA.
Outros nomes europeus seguem meramente especulados, como o ex-treinador e atual diretor Arsène Wenger e a presidente da federação norueguesa Lise Klaveness.
Para além disso, apenas ameaças judiciais e tentativas pouco úteis de demolição da imagem de Infantino.
Debbie Hewitt, presidente da federação inglesa, e Bernd Neuendorf, presidente da federação alemã foram as principais vozes de insatisfação após a reunião do Conselho, reiterando não haver confiança no atual presidente e defendendo a necessidade de uma reforma na governança da entidade.
Um outro declarado opositor, o Sheikh Salman bin Ibrahim Al Khalifa, presidente da AFC, começa a dar sinais de que pode mudar de lado.
Até porque já ficou claro que as Confederações dissidentes não estão conseguindo mobilizar a maioria das suas afiliadas ao movimento opositor.
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