Apagões avançam até Caracas e revolta cresce no interior da Venezuela com energia desviada à capital
Os apagões que atingem regiões da Venezuela se ampliaram nesta semana, quando bairros de Caracas também começaram a sofrer cortes de energia, apesar das medidas anunciadas em agosto para resolver a crise. A deterioração ocorre enquanto o governo interino de Delcy Rodríguez tenta reativar a infraestrutura e firmar acordos para recuperar a capacidade elétrica nesta sexta-feira (11).
Os apagões que atingem Caracas começaram a se espalhar para bairros da capital, apesar das medidas anunciadas em agosto pelo governo interino de Delcy Rodríguez para mitigar a crise elétrica, como a redução da jornada de trabalho no setor público. A deterioração do fornecimento ocorre enquanto regiões do interior, especialmente o estado de Táchira, acumulam semanas de cortes prolongados e protestos noturnos . Em Barinas, no oeste do país, e em Valencia, a 170 km de Caracas, moradores também foram às ruas em meados de agosto, sob calor e umidade intensos, para reclamar da falta de energia.
Durante visita recente ao país, o secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright, afirmou que a Venezuela possui "uma enorme capacidade de geração elétrica que não está funcionando" e que parte dessa infraestrutura poderia ser reativada "bastante rápido", adicionando gigawatts ao sistema. A avaliação reforça alertas internos sobre o colapso do setor. Segundo o deputado opositor Ezio Angelini, o país produzia 20.000 megawatts diários e consumia cerca de 12.000 antes da chegada do chavismo ao poder, em 1999. Hoje, a produção média é de 12.000 megawatts, insuficiente para atender a demanda atual de 14.000.
A crise energética se agravou no momento em que o governo tenta atrair capital estrangeiro para o petróleo e a mineração, setores que também consomem grandes volumes de eletricidade. Rodríguez enviou ao Legislativo uma reforma elétrica ainda não aprovada e firmou acordos com empresas transnacionais, como a GE Vernova, para recuperar 5.000 megawatts em quatro anos. A mandatária também estabeleceu um convênio com os Estados Unidos que cede 20% das reservas petrolíferas venezuelanas, além de contratos com grandes petrolíferas.
Em Táchira, na fronteira com a Colômbia , a revolta cresce diante dos cortes diários e da percepção de que a energia produzida no estado é enviada à capital. Moradores de San Cristóbal afirmam que a situação se tornou insustentável. "Estou realmente exausta, cansada, e agora percebo que nós poderíamos ter luz o tempo todo, mas é preciso enviar energia para a 'bolha' para que os bairros de lá não saiam às ruas para protestar.", disse a secretária Josner Herrera, de 38 anos, irritada com o que considera uma estratégia para manter Caracas iluminada e evitar protestos.
A indignação aumentou após declarações do ex-deputado opositor Heriberto Labrador, que afirmou que a termoelétrica de Táchira gera cerca de 70 megawatts ? volume suficiente para abastecer a demanda interna ?, mas grande parte é desviada ao sistema interconectado nacional. "Se sobra, então que seja enviado, mas o que falta aqui é um governo que queira o melhor para o estado de Táchira", disse à AFP, ao tornar pública sua posição.
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