Eu e as golpistas
São muitos e vários os tipos de golpe que a gente já sabe reconhecer de longe.
Chega por WhatsApp, se apresentando como funcionário do banco, pede o código que “acabou de chegar por SMS”, finge ser central de atendimento, finge ser promoção irrecusável ou cobra com ameaças dívidas de bem antes do mundo ser criado, do Big Bang.
A gente aprendeu, até com facilidade, a achar estranho quem liga oferecendo dinheiro fácil e nem a Santa Dulce dos Pobres faria isso.
E tem quem peça na cara de pau dados sigilosos.
O Brasil vive de fato uma epidemia disso: só no primeiro semestre deste ano, mais de 50 milhões de mensagens de golpe foram identificadas no país — uma média de três por segundo, segundo a Serasa Experian.
Quase quatro em cada dez brasileiros já foram vítimas de algum tipo de fraude financeira, segundo a Febraban.
Números de dar vertigem, de fazer qualquer pessoa checar duas vezes antes de clicar em qualquer link.Eu estava num dia de vagabundagem e nem lavar o gafo, a faca, o prato e a xícara eu queria quando ligou uma senhora dizendo que eu devia dezenas de reais de dívida antiga com empresa de telefonia.
Então decido dar corda somente para pirraçar e um pouco de vingança.
No tempo da operadora linha telefônico só rico podia comprar.
Deixei-a falar durante hora e meia, me explicando a cobrança, a empresa, como pagar por conta, cartão ou Pix.
No final agradeci e disse que estava falando com a pessoa errada por que ela insistia em me chamar de senhor Maurício.
A mulher a partir daí passou a me ameaçar, me xingar e gritar e eu somente disse: “Acalme-se e vá achar outro otário’.De outra vez era uma voz de criança dizendo: “Papai, papai, os homens me sequestraram!”.
Dei corda pois não tenho filho pequeno e nem netos e fui levando a conversa longamente, até marcar com a bandidona que atuava ameaçando matar a “criança” um encontro para entregar 50 mil dólares na antiga rodoviária de Salvador, Bahia.
Deixei esperando e bloqueei o telefone.Mas há um outro tipo de golpe — mais lento, mais educado, de terno e gravata — que a gente ainda não aprendeu direito a temer.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em atarde.com.br — o conteúdo pertence a A Tarde.