Peskov rejeita que diretor da CIA tenha levado aviso sobre NATO
"Estão a ser publicadas muitas histórias alarmistas. É claro que isto não tem nada a ver com a realidade nem com as intenções da Rússia", declarou o porta-voz da presidência russa, Dmitri Peskov, aos jornalistas.
Peskov reagia a informações divulgadas pelo jornal The Wall Street Journal e pela cadeia televisiva CBS News segundo as quais o diretor da Agência Central de Informações norte-americana (CIA), John Ratcliffe, procurou, durante uma visita a Moscovo na terça-feira, dissuadir a Rússia de atacar um membro da NATO.
Segundo o The Wall Street Journal, avaliações dos serviços de informações norte-americanos admitem que o Presidente russo, Vladimir Putin, possa procurar testar a Aliança Atlântica através de um "ataque limitado" nos próximos anos.
O Kremlin rejeitou esta possibilidade e acusou, em contrapartida, os países europeus de adotarem uma política agressiva contra Moscovo.
"Esta agressão vem dos países europeus, e qualquer argumento em contrário é uma distorção da realidade e uma mentira" , afirmou Peskov, citado pela agência russa Interfax.
O porta-voz acrescentou que a Rússia continua a sua "operação militar especial", designação utilizada por Moscovo para a invasão em grande escala da Ucrânia iniciada em fevereiro de 2022.
"A Rússia teria preferido alcançar os seus objetivos por meios pacíficos, mas, como isso não é possível, continua a sua operação militar especial. Esta visa garantir a sua segurança e os seus interesses", explicou Peskov.
Ratcliffe reuniu-se na terça-feira em Moscovo com responsáveis dos serviços de informações russos, numa deslocação invulgar e a primeira de um diretor da CIA à Rússia desde 2021.
Tanto Moscovo como Washington procuraram minimizar o significado da deslocação, apresentando os contactos entre os respetivos serviços de informações como parte das relações habituais entre os dois países.
O Presidente norte-americano, Donald Trump, classificou a viagem como "semi-rotineira" e negou que Ratcliffe tivesse viajado para Moscovo especificamente para transmitir um aviso sobre as linhas vermelhas da NATO.
A deslocação suscitou comparações com a visita a Moscovo, em novembro de 2021, do então diretor da CIA, William Burns, que procurou transmitir ao Kremlin as preocupações norte-americanas perante a concentração de forças russas junto às fronteiras da Ucrânia, poucos meses antes do início da invasão.
A visita de Ratcliffe ocorre numa altura em que permanecem estagnadas as negociações mediadas pelos Estados Unidos para tentar alcançar um acordo que ponha fim à guerra na Ucrânia.
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