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Dificuldades aos 3 anos: como lidar com o "não consigo"?

Observador ·
Dificuldades aos 3 anos: como lidar com o "não consigo"?

Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Bem-vindos ao "Porque Sim Não é Resposta" com o psicólogo Eduardo Sá. Hoje trazemos a questão de uma mãe preocupada com o impacto das dificuldades motoras no comportamento do filho de três anos. A mãe nota que a criança já se percebe das diferenças em relação aos seus pares e reage com inibição, frustração e desistência imediata ao dizer: "Não consigo". Na escola, em tarefas como coreografias, por exemplo, a criança prefere ficar a observar em vez de participar. Olá, Eduardo. É normal que uma criança de três anos já tenha esta percepção clara de que está atrás dos colegas a nível motor?

Olá, Judite. Normal é, porque as crianças de três anos são enormes e sofisticadas. Mas é um pouquinho preocupante. Sem fazer disto uma preocupação exagerada, é um pouquinho preocupante, e eu acho que nós temos que esclarecer muito bem que dificuldades motoras são estas e o que de alguma forma as pode ter gerado. Seja como for, sem tirar a importância a necessidade de se fazer uma avaliação fidedigna, como é incontornável, eu acho que é muito importante que nós possamos ter a noção que as crianças hoje aos três anos têm pior corpo do que tinham há uma geração atrás. Nós deixamo-las muito pouco brincar com o corpo e experimentá-lo e de alguma forma fazer tudo aquilo que faz com que o corpo se torne versátil, correrem, sujarem-se, irem da motricidade grosseira à motricidade fina. Eu chamo sempre a atenção para a perplexidade dos educadores de infância, que cada vez mais se queixam de haver muitas crianças que chegam ao jardim de infância e quando começam a correr só com de frente. Ou seja, não têm os recursos mínimos exigíveis pra que uma criança cresça saudável. E nós temos esta ideia muito pateta de que o desenvolvimento motor faz bem, mas não é tão importante como o desenvolvimento cognitivo. Ora, pior corpo significa sempre pior pensamento, menos pensamento. E, portanto, nessas circunstâncias, nós temos que perceber que as crianças quando vão para o jardim de infância têm que ter um corpo esticadinho, mó, com mobilidade, versátil. E por favor, não permitam que haja aqueles episódios que são frequentes de nós termos crianças de 10 e 11 anos a jogar futebol, que quando a chuteira se desata, vai o treinador atá-la. Estamos a falar de 10 e de 11. Como é que eles hão de saber escrever e outras coisas do gênero? Portanto, muito cuidado ao desenvolvimento motor. Claro que eu fico preocupado que uma criança faça isto, mas atenção, às vezes as crianças também são um pouquinho batuteiras, isto é, as coisas em que são muito boas vão jogo, nas coisas em que são assim, assim: "Ah, não me apetece". Isso acontece com todos. Aliás, as mães que estão a me dizer, e eu fico sempre enternecido: "Mas por que todos os rapazes, por exemplo, têm que jogar futebol?" Não são todos rapazes, todas as crianças podem fazê-lo. Mas por que têm? Porque é um dos pretextos pra que brinquem com o corpo. E muitas vezes eles não jogam futebol não é porque não gostarem de brincar com o corpo, é porque às vezes são um pouquinho batuteiros.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em observador.pt — o conteúdo pertence a Observador.

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