Bruxelas acusa fundo KKR de informações enganosas em compra de empresa italiana
A Comissão Europeia acusou, esta segunda-feira, 19 de outubro, preliminarmente, o fundo de investimento norte-americano KKR de ter fornecido informações incorretas ou enganosas durante a investigação à aquisição da italiana de telecomunicações NetCo, operação autorizada em maio de 2024.
“A Comissão Europeia informou a KKR da sua posição preliminar segundo a qual a empresa prestou informações incorretas e/ou enganosas durante a investigação realizada pela Comissão, em 2024, sobre a aquisição da NetCo pela KKR, ao abrigo do Regulamento da UE relativo às concentrações de empresas”, indica o executivo comunitário em comunicado.
Em concreto, Bruxelas considera, “a título preliminar, que a KKR, pelo menos por negligência, apresentou informações incorretas e/ou enganosas sobre as condições dos contratos de longa duração existentes para o acesso grossista” à rede de fibra ótica da FiberCop.
“Essas informações incluíam a afirmação de que as condições contratuais existentes continuariam a ser aplicáveis, uma vez que só poderiam ser alteradas mediante acordo mútuo com os operadores terceiros”, adianta.
Em causa está a aquisição pela sociedade de investimento norte-americana KKR do controlo exclusivo da NetCo, que integra a rede fixa principal da Telecom Italia e a FiberCop, responsável pela infraestrutura de cobre e fibra ótica que liga as centrais telefónicas aos armários de rua e às instalações dos clientes.
A operação, autorizada sem condições pela Comissão Europeia em maio de 2024, juntou as redes fixa principal e secundária da Telecom Italia sob a FiberCop, permitindo à KKR assumir o seu controlo exclusivo.
A KKR garantiu à Comissão Europeia que os contratos com operadores terceiros manteriam as condições existentes, levando Bruxelas a autorizar a operação sem condições.
Contudo, vários operadores queixaram-se de aumentos unilaterais dos preços cobrados pela FiberCop pelo acesso à sua rede de banda larga e, na sequência dessas queixas, o executivo comunitário abriu uma investigação formal em julho de 2025, considerando agora preliminarmente que a KKR poderá ter fornecido informações incorretas ou enganosas sobre as condições contratuais.
A empresa pode responder, sendo que, ao abrigo das regras europeias, arrisca uma coima até 1% do volume de negócios mundial anual.
Bruxelas pode também revogar a autorização da operação caso se confirmem os pressupostos legais para tal.
A investigação ainda não tem um desfecho definido.
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