Habitação: o elefante no meio da sala
As discussões sobre a crise da habitação que se faz sentir em Portugal e em muitos outros países da Europa Ocidental costumam centrar-se em aspetos como a Lei do Arrendamento, os direitos dos inquilinos, os vistos para estrangeiros ou o impacto do Alojamento Local na oferta disponível.
São temas relevantes.
Mas talvez seja tempo de reconhecer que existe um elefante no meio da sala que continua a ser ignorado: a falta de casas.
Durante anos, o debate público foi dominado pela redistribuição de um parque habitacional que não cresceu ao ritmo das necessidades do país.
Estamos ocupados a discutir quem deve ocupar as casas existentes, o valor das rendas e as eventuais restrições que devem ser impostas em determinados segmentos do mercado.
E fala-se muito menos sobre uma questão que deveria ser central: saber por que já não construímos casas em número suficiente.
Portugal vive hoje as consequências de uma década em que o investimento na construção foi insuficiente para responder à procura.
A crise financeira, a falência de inúmeras empresas do setor, o endurecimento das regras de financiamento e a crescente complexidade dos processos de licenciamento criaram um ambiente em que construir se tornou mais difícil, mais lento e mais caro.
O resultado foi a escassez de oferta, preços elevados e uma crescente incapacidade das famílias para encontrarem habitação compatível com os seus rendimentos.
Esta situação contrasta com aquilo que aconteceu nas décadas de 1980 e 1990.
Na altura existiu uma espécie de “santa aliança” entre construtoras, bancos e autarquias.
Havia riscos? Sem dúvida.
Houve excessos? Também.
Mas houve igualmente resultados.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.dn.pt — o conteúdo pertence a Diário de Notícias.