Polícia dispersa manifestação pró-Ceuta em frente ao Congresso em Madrid
D ezenas de manifestantes dispersaram-se pelas ruas adjacentes ao Congresso, entoando slogans racistas, noticiou a agência Efe.
A manifestação, organizada sob o lema "Ceuta une-nos", foi convocada pelos habitantes de Ceuta que vivem em Madrid, mas contou com a participação, entre outros, de membros da organização de extrema-direita Núcleo Nacional.
Entre os slogans mais entoados estavam insultos ao chefe do governo espanhol, Pedro Sánchez, bem como pedidos de demissão, mas também se ouviram cânticos racistas, como "Quem não saltar é muçulmano" ou "Espanha é cristã, não muçulmana".
No início da manifestação, alguns manifestantes entraram em confronto com os media, agredindo os jornalistas da La Sexta e da TVE, o que levou à intervenção da polícia para os dispersar.
Os organizadores sublinharam que a manifestação não foi financiada por nenhum partido ou movimento político, mas sim por "moradores de Ceuta preocupados com a sua cidade".
Durante o evento, não foi exibida qualquer bandeira de qualquer grupo político, sendo substituídas pela bandeira espanhola, algumas com o brasão recortado, a bandeira de Ceuta e a Cruz de Borgonha.
A cidade de Ceuta, enclave espanhol situado na costa norte de África, celebra normalmente o seu feriado oficial anual em 02 de setembro.
O feriado de Ceuta comemora o dia 02 de setembro de 1415, quando o primeiro governador português desembarcou poucas semanas depois de os soldados portugueses terem reclamado o território. A cidade passou para o domínio espanhol em 1580.
Este ano a efeméride teve mais impacto, depois de Ceuta se ter tornado o epicentro da pior crise fronteiriça de Espanha.
Em vez de festividades, dezenas de milhares de pessoas saíram hoje à rua em toda a Espanha para protestar contra a crise humanitária em Ceuta, exigindo soluções e culpando o primeiro-ministro Pedro Sánchez pela forma como o seu governo lidou com a situação.
No final de julho, cerca de 72 mil pessoas nadaram, escalaram ou atiraram-se para o interior do pequeno território espanhol vizinho de Marrocos, com pelo menos 90 mortes na tentativa de chegar à Europa.
A maioria dos migrantes regressou rapidamente ou foi conduzida de volta para o outro lado da fronteira, mas cerca de 5.000, incluindo 1.200 menores, permanecem em Ceuta semanas depois, segundo o governo nacional.
Permanecem também questões complexas sobre o que causou a travessia em massa, que o governo afirma ter sido impulsionada por uma campanha 'online' nas redes sociais.
Muitos em Espanha questionaram se o governo marroquino poderia ter feito mais para impedir a travessia forçada da fronteira.
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