Pentágono demite dirigentes de jornal militar independente por "insubordinação"
O Departamento de Defesa (Pentágono) demitiu esta sexta-feira o editor-chefe e o diretor do jornal Stars and Stripes por "insubordinação", alegaram responsáveis da publicação independente que cobre notícias do Exército norte-americano a vários meios de comunicação.
Financiado em parte pelo Pentágono mas tradicionalmente independente no plano editorial, o Stars and Stripes cobre notícias das Forças Armadas dos Estados Unidos desde a Guerra Civil (1861-1865).
No entanto a autonomia do jornal -- tal como a de outros órgãos de imprensa militares -- tem sido cada vez mais questionada durante a atual Admnistração do Presidente Donald Trump.
O editor-chefe, Erik Slavin, disse à Associated Press que recebeu uma notificação de despedimento após uma entrevista em que rejeitou a possibilidade de censura por parte dos militares.
Durante uma entrevista com a emissora CBS News, Slavin disse acreditar ter sido despedido por "insubordinação" após ter manifestado, numa entrevista ao canal, divergências editoriais com o Pentágono, que no início do ano afirmara querer afastar "distrações woke" da cobertura do Stars and Stripes.
O mesmo aconteceu com o diretor de publicação Max Lederer -- que tinha anunciado a saída para o final de setembro -- e com a repórter no Médio Oriente Lara Korte.
"Hoje fui informada de que o Departamento da Defesa me despediu por insubordinação, depois de ter dito a um jornalista da CBS que trabalho para o Stars and Stripes, não para o Pentágono, não para a administração, nem para qualquer decisor político," descreveu Korte numa publicação na rede X.
As demissões surgem num contexto em que a Administração Trump, no seu segundo mandato, tem adotado uma postura cada vez mais combativa em relação aos meios de comunicação, incluindo restrições de acesso ao Pentágono para jornalistas e disputas legais com órgãos como o Wall Street Journal, a Associated Press e o New York Times.
O presidente do National Press Club, Mark Schoeff Jr., classificou o despedimento de Slavin como "mais uma tentativa descarada do Pentágono de ditar a cobertura militar" e pediu a reversão imediata da decisão.
Lederer, que esteve três décadas no jornal e era diretor desde 2007, escreveu num memorando interno que a sua "compreensão da missão e do valor do Stars and Stripes divergia de forma fundamental da direção que a liderança do Departamento da Defesa pretende para a organização".
A polémica intensificou-se após a nomeação do capitão William Urban, oficial da Marinha, como adjunto militar do editor, sem conhecimento prévio de Lederer.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.rtp.pt — o conteúdo pertence a RTP Notícias - Mundo.