Portugal e China preveem financiamento conjunto de projetos científicos a partir de 2027
Portugal e China preveem financiar conjuntamente projetos de investigação científica a partir de 2027, através de mecanismos que serão definidos pela nova Agência para a Investigação e Inovação (AI²), revelou esta segunda-feira à Lusa o ministro Fernando Alexandre.
O ministro da Educação, Ciência e Inovação explicou que os instrumentos de financiamento vão ser desenvolvidos no próximo ano, na sequência da X Comissão Mista de Ciência e Tecnologia Portugal – China, realizada esta segunda-feira em Pequim, após sete anos de interrupção.
"Prevemos que haverá financiamento nacional que se juntará a financiamento da China para determinados projetos", afirmou Fernando Alexandre em entrevista à Lusa, sublinhando que a seleção deverá obedecer a critérios de transparência e avaliações internacionais.
A definição dos mecanismos caberá à AI², criada a partir da fusão da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) com a Agência Nacional de Inovação (ANI), que assumirá plenamente as suas funções em 01 de janeiro de 2027.
As parcerias com instituições chinesas serão integradas nos instrumentos de financiamento da agência, à semelhança das colaborações existentes com universidades norte-americanas.
Fernando Alexandre esclareceu que ainda não estão identificadas instituições para avançar com novos laboratórios conjuntos ou consórcios de investigação, cuja concretização começará a ser preparada em 2027.
"Agora o compromisso é, de facto, em 2027 termos instrumentos concretos", afirmou.
O ministro insistiu que os futuros projetos serão selecionados através de procedimentos competitivos, com avaliações internacionais, rejeitando decisões discricionárias.
"Temos de fazer tudo com toda a transparência", afirmou.
A reunião da Comissão Mista terminou com a assinatura de uma declaração conjunta entre Fernando Alexandre e o homólogo chinês, Yin Hejun, que estabelece cinco áreas prioritárias de cooperação científica e tecnológica até 2030.
Segundo um comunicado do Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI) enviado à Lusa, as áreas selecionadas são o oceano e a economia azul; a energia, o clima, as baterias e o hidrogénio; a agricultura, a bioeconomia e a alimentação; a saúde, o envelhecimento saudável e as tecnologias médicas; e a conservação do património cultural através da ciência.
Questionado sobre os critérios de seleção e a ausência de setores como a inteligência artificial, semicondutores ou a robótica entre as prioridades identificadas, Fernando Alexandre explicou que foi necessário fazer escolhas, privilegiando domínios com maior potencial de colaboração.
"Temos que fazer escolhas.
São áreas onde nós temos maior potencial de colaboração", disse o ministro.
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