GNR deteve 30 por incêndios e 32 por violência doméstica em Vila Real
O comandante de Vila Real da GNR, o coronel Feliciano Amaral, disse que a violência doméstica e os incêndios florestais são os crimes mais participados neste distrito e são, por isso, crimes em que a Guarda centra atenções tanto na prevenção como na investigação.
Segundo referiu, desde o início do ano, a GNR deteve 30 suspeitos pelo crime de incêndio florestal e 32 por violência doméstica no distrito.
O comando de Vila Real está no top três dos que registam mais detidos pelo crime de incêndio florestal no país este ano, tendo já investigado 560 incêndios em 769 validados na sua área de intervenção.
É também o distrito com mais área ardida em 2026, cerca de 21.700 hectares.
O incêndio que, no final de julho, começou em Valpaços e se estendeu a Mirandela, Vinhais e Macedo de Cavaleiros, foi considerado o segundo maior do ano em Portugal, com 7.000 hectares de área ardida.
As jornadas de investigação criminal realizadas hoje, em Vila Pouca de Aguiar, estão inseridas nas comemorações do 17.º aniversário do Comando Territorial da GNR de Vila Real.
Vila Pouca de Aguiar foi atingida por quatro incêndios em 2024, que deflagraram no mesmo dia e queimaram 8.000 hectares, 17% do território.
A presidente desta autarquia, Ana Rita Dias, disse que, em consequência destes fogos e para ajudar a proteger a mancha florestal do concelho, foram instaladas cinco câmaras de videovigilância no concelho, num projeto coordenado pela Polícia Judiciária (PJ).
"Estas câmaras ajudam no âmbito da investigação e a deter aqueles que usam o incêndio como uma arma criminosa contra a floresta", referiu.
A autarca considerou ainda que são precisas mais respostas para as vítimas de violência doméstica e, nesse sentido, disse que o município está a investir cerca de meio milhão de euros na construção de habitação de emergência social, um projeto financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e que resulta da recuperação de duas casas, que terão 16 camas e estará concluído até ao final do ano.
O projeto desenvolvido no âmbito da Bolsa Nacional de Alojamento Urgente e Temporário (BNAUT) visa garantir "segurança e estabilidade para as vítimas de violência doméstica", mas também cobre outras situações como, por exemplo, uma família que fique sem habitação em consequência de um incêndio.
Durante as jornadas, a major da GNR, Andreia Lopes, referiu que a violência doméstica é "o crime mais participado em Portugal" e que, em 2025, a Guarda contabilizou, a nível nacional, 14.071 ocorrências relacionadas com este crime e deteve 1.410 suspeitos.
No distrito de Vila Real, têm sido registados entre os 500 a 600 inquéritos criminais, por ano, relacionados com a violência doméstica, reportados à GNR, PSP, PJ e Ministério Público (MP).
Desde 2021, houve dois homicídios em contexto de violência doméstica neste território, o último dos quais verificou-se em Vila Pouca de Aguiar e está relacionados com uma mulher suspeita de ter matado a enteada de oito anos.
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