Crianças e jovens com Covid Longa correm risco de perder percurso escolar
A organização Aliança Millions Missing (AMM), associação que representa doentes afetados por síndromes pós-virais, alertou hoje para o risco de crianças e jovens com Covid Longa perderem o seu percurso escolar por falta de uma resposta articulada.
Em entrevista à agência Lusa, a co-fundadora e presidente da AMM, Joan Serra Hoffman, falou da ausência de resposta articulada nos sistemas educativo, de saúde e de proteção social, destacando as consequências em crianças e adolescentes que podem prolongar-se até à vida adulta e comprometer a continuação dos estudos ou a entrada no mercado de trabalho.
"Uma criança não pode perder o seu percurso educativo porque adoeceu e os sistemas não sabem como responder.
Quando a doença impede um jovem de continuar a estudar, a resposta não pode ficar apenas dentro da consulta", afirmou Joan Serra Hoffman que em maio esteve numa comissão de saúde no Parlamento onde foram apresentados testemunhos de pessoas que vivem com este tipo de doenças.
"Ficamos à espera da resolução.
Ainda não saiu.
Admitimos que com as férias e tudo mais seja normal, mas é importante que não caia no esquecimento", acrescentou.
A Direção-Geral da Saúde e da Segurança dos Alimentos, um departamento da Comissão Europeia responsável por definir e pôr em prática as políticas europeias relativas à saúde pública, à segurança dos alimentos e ao bem-estar animal, publicou a 16 de setembro um documento que recomenda a proteção para crianças e jovens que adoeceram e que deixaram de conseguir prosseguir o seu percurso educativo.
Este é um 'policy paper' (documento de políticas públicas) que inclui um inquérito 'online' que reuniu 2.042 pessoas de 30 países.
A AMM destacou que uma das secções dedica-se em exclusivo às crianças e jovens e identifica dificuldades no reconhecimento da Covid Longa nesta faixa etária.
"É pedido explicitamente que estas crianças e jovens sejam protegidos (…).
Tal como são precisas adaptações no trabalho para os adultos, são precisas adaptações na escola", referiu, à Lusa, Joan Serra Hoffman, lembrando que "a Covid Longa continua invisível, subdiagnosticada e sem resposta estruturada em Portugal".
"Mas afeta muitas crianças e adolescentes.
Já começa a haver evidência disso", considerou a presidente da associação, recorrendo a um estudo de 2023 que identificou Covid Longa em 17,6% das crianças e adolescentes estudados.
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