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"Ele ia prejudicar-se": brasileiros desconfiam da mudança de posição de Flávio Bolsonaro sobre o fim da escala 6x1

CNN Portugal ·
"Ele ia prejudicar-se": brasileiros desconfiam da mudança de posição de Flávio Bolsonaro sobre o fim da escala 6x1

É uma corrida contra o tempo na reta final da campanha presidencial brasileira. A 25 de outubro, Lula da Silva e Flávio Bolsonaro voltam a disputar a Presidência da República, numa eleição em que o fim da escala de trabalho 6x1 se tornou um dos principais temas de confronto. E a mudança de posição do candidato do PL está a alimentar a desconfiança de alguns eleitores.

“Eu acredito que foi uma jogada política dele porque ele deixa muito claro que ele não é a favor do trabalhador”, afirma uma brasileira entrevistada pela CNN Portugal no Rio de Janeiro. “Sou a favor da escala 5x2 porque acredito que o trabalhador mereça dois dias de descanso, porque ele merece lazer e estar com a família”, defende. A opinião reflete a suspeita de que Flávio Bolsonaro terá revisto a sua posição para não perder apoio numa questão com grande popularidade entre os trabalhadores brasileiros.

A mudança aconteceu depois de semanas de críticas à proposta. A 6 de outubro, o senador defendia uma alternativa assente na liberdade de escolha dos trabalhadores. “Eu tenho uma proposta infinitamente melhor do que essa proposta que está na mesa, que é da liberdade do trabalhador escolher a sua própria carga horária”, afirmou.

Lula aproveitou a divergência para desafiar publicamente o adversário. Num vídeoselfie publicado a 8 de outubro na sua conta oficial de Instagram, o presidente brasileiro perguntou: “Oh, Flávio, ontem eu lhe cobrei, vai ou não vai votar o fim da escala 6x1?”

A 14 de outubro, o candidato confirmou o apoio através do voto à distância no Senado, que aprovou a proposta por 75 votos favoráveis e apenas um voto contra. A votação decorreu a 11 dias da segunda volta e representou uma vitória política para Lula, que fez do reforço dos direitos laborais uma das bandeiras da campanha. A proposta prevê a redução da jornada semanal máxima de 44 para 40 horas, dois dias de descanso remunerado e a manutenção dos salários, com uma transição gradual para as novas regras.

Mas a mudança de posição não convence todos os brasileiros. César Reis, advogado reformado, considera que o candidato do PL não teria outro caminho e arriscava perder apoio caso mantivesse a oposição à medida. “Ele ia se prejudicar. Os votos que ele já tem. Eu sou governo do Bolsonaro. Então, isso aí [da escala 6x1] ele ia-se prejudicar obviamente”, afirma.

A escala 6x1 corresponde a um regime em que o trabalhador exerce funções durante seis dias consecutivos e descansa um. O fim deste modelo é defendido por quem considera que um dia de folga é insuficiente para conciliar o emprego com a vida familiar, o lazer e a recuperação física. A proposta tem também gerado críticas de representantes empresariais, que alertam para o aumento dos custos e os possíveis efeitos sobre o emprego.

É neste contexto que Josué Santos, trabalhador abrangido pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), prefere colocar os interesses dos cidadãos acima das estratégias partidárias.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em cnnportugal.iol.pt — o conteúdo pertence a CNN Portugal.

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