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"Os serviços secretos cubanos tentaram recrutar-me em 76"

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"Os serviços secretos cubanos tentaram recrutar-me em 76"

Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Este é o segundo episódio de uma entrevista de vida com Agostinho Pereira de Miranda. Deixe-me voltar à sua vida, porque há vários pontos muito interessantes e este é mais um deles. Já com o curso de Direito na mão, faz uma aposta original: entra para delegado do Ministério Público ou para agente do Ministério Público, vai-me dizer qual é o termo correto, mas vai para a Polícia Judiciária e se eu não me engano, nem sequer tentou a advocacia nessa altura. Ou tentou?

Mas como tentar a advocacia? Para se começar como advogado era preciso ter dinheiro. Eu não tinha forma nenhuma de pagar a minha parte da renda num escritório de colegas. Não tinha poupanças, não tinha família que me pudesse ajudar e portanto eu percebi rapidamente que tinha que ir juntar dinheiro para esse efeito. De facto, concorri para delegado procurador da República, fui colocado em Elvas, não aqueci o lugar porque entretanto conheci uma senhora, uma rapariga holandesa, a Lia Laper, e como diria mais tarde um amigo meu-

... primeiro, antes a Lia do que a lei. E a verdade é que eu deixei rapidamente Elvas e encontrei um poiso aqui na Polícia Judiciária. Absolutamente. Eu não queria ser polícia e de facto até acabei por me revelar um medíocre detetive. Eu era responsável por uma das duas secções de homicídios. Durante quatro anos eu era um inspetor dos homicídios, da segunda secção, neste caso, e felizmente tive sempre subinspetores fantásticos, com muita experiência e muito inteligentes. Mas ali estive até ter conseguido juntar dinheiro para pagar uma renda.

Mas antes chegou a ter uma formação na Scotland Yard também. Chegou a ter essa formação.

Sim. Aliás, tanto quanto me recordo, fui escolhido para essa formação na Bomb Squad da Scotland Yard, pelo diretor Marques. Perdão?

Pelo diretor da Polícia Judiciária, José Marques Vidal. Pelo menos era ele o diretor-geral quando eu e um outro inspetor-

Um amigo pessoal meu, que certamente vai ouvir esta conversa e vai gostar de saber. Vai gostar de ouvir o que você está a contar.

Devo-lhe essa viagem única na minha vida, não tanto pela viagem e por ter ido a Londres pela primeira vez, mas especialmente porque aprendi muito — não me recordo se foram duas, três semanas — no contacto com aqueles especialistas ingleses. Por que fui eu? Eu e um outro inspetor, Francisco Garcia. Por quê? Porque tinha, entre 1974 até àquela altura, já finais de 76, tinha havido mais de 500 atentados bombistas. E de facto tinha havido mortes, e nós nos homicídios, a verdade é que-

Há aí uma história, era uma pergunta que eu ia fazer genérica, mas agora recordo-me que eu tive um caso muito interessante num desses atentados bombistas.

É, o atentado na Embaixada de Cuba, que julgo ter sido em abril de 76. Eu fui à Bomb Squad mais tarde, em novembro ou dezembro de 76. Mas esse atentado foi particularmente marcante na minha vida profissional.

Só para dar um contexto para os nossos ouvintes mais novos que não se recordam, era um tempo do período revolucionário.

A situação política estava longe de estar estabilizada.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em observador.pt — o conteúdo pertence a Observador.

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