Portugal está rico, mas os portugueses não?
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Eu percebo as vossas perguntas, mas vamos com calma, está bem? Não quero que ninguém se magoe.
Eu às vezes tenho mais que fazer do que estar a responder diariamente.
E agora é a pergunta que se calhar todos fazem, Paulo: pode a Polícia Judiciária ser investigada e ficar tudo na mesma?
Se pode ser investigada, pode e deve, sempre que há suspeitas e motivos para isso. Não há ninguém acima da lei, aqui falamos de pessoas ou instituições. Aliás, a investigação à Polícia Judiciária, que ontem motivou buscas, também na sua sede nacional, pode até ser vista como um sinal de vitalidade da democracia e de boa saúde da democracia, precisamente por isso mesmo. Em causa está aqui a suspeita de realização de escutas ilegais no processo Football Leaks, que levou à condenação do Éçar Rui Pinto e do advogado Aníbal Pinto. Isso é uma coisa, poder ser investigado. Outra coisa é saber se pode ficar tudo na mesma neste momento. Entre os investigados está o próprio diretor nacional da Polícia Judiciária, Carlos Cabreiro, que é relativamente recente no cargo. Sucedeu a Luís Neves quando saiu para o governo.
Desde fevereiro, se não erro, ou março. E ontem o Ministério Público fez buscas no seu próprio gabinete. Claro que todas estas pessoas são inocentes até prova em contrário. O mesmo se aplica, obviamente, a Carlos Cabreiro, mas deve colocar-se a hipótese de o diretor nacional não ter, neste momento, condições para exercer o seu cargo, porque, no fundo, está a decorrer uma investigação a ele próprio, a investigação sobre a qual ele tem algum tipo de comando. Portanto, há aqui uma contradição nos próprios termos. Pode haver figuras como a suspensão de funções que podem ser úteis, não sei, é uma questão de debater.
Estamos no domínio das hipóteses. Outra hipótese, Bruno, estamos ricos.
Parafraseando um conhecido político, as contas do país estão muito bem, as contas dos portugueses é que parece que estão um pouco mais constipadas. O Instituto Nacional de Estatística revelou que Portugal fechou o primeiro semestre de 2026 com o excedente orçamental de 0,5% do PIB, cerca de 803 milhões de euros. É um excedente inferior ao do mesmo período do ano passado, mas com as tempestades e os combustíveis caríssimos, podíamos esperar um cenário pior. E afinal vemos que, apesar de tudo, o país, o Estado, gasta menos do que o dinheiro que arrecada. E aqui é que a porca torce o rabo. As contas do país estão aparentemente arrumadas, mas não vemos os portugueses com muita vontade de sair pra rua e festejar, invadir o Marquês com bandeirinhas, porque as finanças das famílias continuam sob enorme pressão e no último trimestre de 2026, no mais recente, houve até uma diminuição da taxa de poupança de 12,4% para 12,1%. Esta folga de 800 milhões de euros pode aliviar o governo, mas definitivamente não faz com que os portugueses se sintam mais ricos, nem sequer menos pobres.
Os socialistas querem distanciar-se do Chega precisamente sobre este tema, sobre as propostas que ambos os partidos estão a fazer para atenuar o impacto do aumento dos preços nas famílias.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em observador.pt — o conteúdo pertence a Observador.