"Não temos ainda instrumentos jurídicos no espaço digital"
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Neste jornal temos a oportunidade de falar com José Tribolet. É professor de Sistemas de Informação no Instituto Superior Técnico da Universidade de Lisboa, um dos grandes especialistas na área da informática em Portugal. José Tribolet, bem-vindo à Rádio Observador. Fazem sentido estes avisos ou são demasiado alarmistas?
Boa tarde a todos. Não são demasiado alarmistas. Faz muito sentido estarmos preocupados e a olhar para algo que é uma consequência natural da relação entre o ser humano e a tecnologia. Sempre sucedeu. Se pensarmos bem, o que está neste momento a ocorrer, claro, com uma dimensão e uma intensidade enorme devido ao tipo de tecnologia, não é diferente de tudo o que tem sucedido, por exemplo, com o que tem a ver com armamento, armas militares que são usadas para todo o tipo de fins, fins legítimos, fins ilegítimos, para o crime organizado, para abusos brutais de poder. Sempre sucedeu. E a mesma coisa que sucedeu com a parte dos fármacos e das drogas, que são usadas para fins bons, tratar dos seres humanos, melhorar a sua qualidade de vida ou para fins terríveis como dominar as pessoas, destruí-las, etc. E, portanto, o que está a suceder com esta tecnologia, e que vai suceder inevitavelmente com esta tecnologia, é que os instrumentos e as aplicações usando estes instrumentos que se vão desenvolver vão servir estes propósitos duais, para o bem e para o mal. Isto é uma realidade. O que estão a alertar agora, e bem, esta recente intervenção, muito recente, onde apoiaram o Dario Amodei da Anthropic, os avisos recentes que ele fez depois dos problemas que houve na Anthropic. O próprio Elon Musk e o Sam Altman da OpenAI vieram dizer que as propostas que o Dario Amodei está a fazer são propostas razoáveis e que eles vão considerar isso. Basicamente são propostas centradas nos fabricantes destes instrumentos. Neste momento são estas grandes empresas, mas atenção, os instrumentos de AI vão ser feitos aos milhares por milhares de empresas por todo o mundo. Não são só estes.
E governos incluídos. Há governos também a desenvolver ferramentas de supervisão.
Os governos desenvolveram sempre e utilizaram armas e produtos químicos para fazer coisas boas e más. Os governos também são parte das organizações da humanidade.
Mas como é que é possível nesta fase? Parece que há aqui vários pontos comuns. Todos reconhecem riscos, todos reconhecem que é preciso conversar em conjunto, na mesma sala, todas as empresas, mas que os governos também participem. Mas parece que ninguém sabe muito bem por onde começar e como é que se faz esta parte que estamos a falar de relações interpessoais, neste caso.
Está a fazer a pergunta crucial. Agora quer dizer que eu já estou jubilado há sete anos e neste momento estou a escrever um mini livro com a minha sobrinha, que é doutorada em Filosofia e que há de aparecer daqui a um ano, onde também se aborda estes assuntos. Mas a questão de fundo precisamente é a que põe: como é que nós podemos lidar com este tipo de problemática? Eu queria dar rapidamente dois exemplos muito importantes.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em observador.pt — o conteúdo pertence a Observador.