Milhares manifestam-se em Washington em defesa do direito de voto
A marcha "Defend the Vote" (Defender o Voto), organizada pelo reverendo Al Sharpton e por Martin Luther King III, filho do histórico líder dos direitos civis Martin Luther King Jr., concentrou manifestantes no National Mall, no centro da capital norte-americana.
A iniciativa evoca a histórica Marcha sobre Washington pelo Emprego e pela Liberdade de 1963, que reuniu mais de 200 mil pessoas junto ao Lincoln Memorial e durante a qual Martin Luther King Jr. proferiu o célebre discurso "I Have a Dream" (Eu Tenho um Sonho).
A manifestação deste ano decorre após uma decisão do Supremo Tribunal, em abril, no processo 'Louisiana v. Callais', que reinterpretou disposições fundamentais da Lei dos Direitos de Voto ('Voting Rights Act') de 1965.
Organizações de defesa dos direitos civis sustentam que a decisão permite aos estados do sul redesenhar os círculos eleitorais de uma forma que reduz a representação política das comunidades negras.
A manifestação começou com uma oração e intervenções de representantes da organização Interfaith Alliance, que abordaram questões relacionadas com o direito de voto, racismo sistémico e políticas de diversidade, equidade e inclusão.
Entre as dezenas de oradores anunciados estão o senador independente Bernie Sanders, a governadora democrata da Virgínia, Abigail Spanberger, e a congressista democrata Alexandria Ocasio-Cortez.
A redistribuição dos círculos eleitorais promovida por estados governados pelos republicanos constitui uma das principais preocupações dos organizadores, que receiam uma redução do número de representantes negros no Congresso.
A manifestação ocorre também numa altura de crescente disputa judicial em torno das regras das eleições intercalares.
Na segunda-feira, o Supremo Tribunal abriu caminho a uma eventual aplicação da ordem presidencial, embora permaneça incerto até que ponto as novas regras poderão entrar em vigor antes das eleições intercalares.
Nas eleições de 03 de novembro estarão em disputa todos os 435 lugares da Câmara dos Representantes e parte dos lugares do Senado, num escrutínio decisivo para determinar o controlo do Congresso durante os dois últimos anos do atual mandato de Trump.
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