A crise da escola
Menos curiosos, mais desistentes, mais superficiais, menos tolerantes ao esforço, com os pais a esperar menos da escola e com 1 em cada 5 deles a achar que ela não vale a pena. Com mais experiências de bullying e com falta de professores. Com maiores clivagens entre os alunos sem recursos e os outros, e com diferenças de rendimento geográficas enormes. Estas são algumas das características que os alunos portugueses com 15 anos mais evidenciam no Programme for International Student Assessment (PISA) da OCDE, agora divulgado. Que nos diz que, nos últimos dez anos, os alunos portugueses perderam o equivalente a mais de um ano de escolaridade nas suas competências escolares. Levado ao absurdo, equivale a que todos eles tenham tido mais de um ano de faltas injustificadas sem que ninguém desse conta. Em termos globais, os dados do PISA advertem-nos para um recuo de 20 anos nas competências dos alunos portugueses, tendo pelo menos 1 em cada 4 desempenhos abaixo do indispensável para participarem numa vida em sociedade, considerando os seus conhecimentos em ciências, matemática e na leitura.
Se, ao dia de hoje, estes resultados nos assustam, e se isso não nos deixa de dar conta que fomos ligeiros nos custos da pandemia sobre todas as crianças, a escola não começou a adoecer a partir daí. Vejam-se os dados da mesma OCDE sobre a leitura e o cálculo de portugueses escolarizados com mais de 30 anos quando, há um ano, alertou para que quase metade deles revelava um dos dois níveis mais baixos em profici ê ncia em leitura avaliados, apenas conseguindo ler textos breves com informação mínima e vocabulá rio familiar ; e que 40% apresentavam dificuldades no cálculo abaixo ou ao nível mais básico das pessoas avaliadas.
Como pode a escolaridade obrigatória garantir o conhecimento e a educação, robustecer a inteligência humana e promover a democracia, a liberdade e a política se os alicerces das aprendizagens básicas se vão manifestando tão inacreditavelmente deficitários? Será que a substituição das metas curriculares por aprendizagens essenciais poderá ter ajudado para tamanho declínio? Ou que o abandono, a partir de 2016, de curr í culos mais exigentes, dos exames de final de ciclo no 4.º e no 6.
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