Eisenkot exclui integrar um governo liderado por Netanyahu após votação
O principal rival de Benjamin Netanyahu, o antigo chefe do Estado-Maior das Forças Armadas israelitas Gadi Eisenkot, excluiu hoje integrar um Governo liderado pelo seu adversário, sem afastar a possibilidade de um executivo de unidade nacional.
A poucos dias de umas eleições que se anteveem renhidas, marcadas para o próximo dia 27, responsáveis políticos e comentadores israelitas admitem a possibilidade de um Governo de unidade entre partidos dos blocos de Netanyahu e da oposição, formado em torno de Eisenkot.
Segundo as sondagens, os dois blocos estão atualmente empatados, com cerca de 50 a 52 deputados cada, muito aquém dos 61 lugares necessários no Knesset (Parlamento) para formar Governo.
Numa entrevista à rádio israelita 103 FM, Eisenkot comprometeu-se "de forma categórica" a não integrar um Governo liderado por Netanyahu, "nem sequer no âmbito de um sistema de rotação", em que ambos alternariam no cargo de primeiro-ministro, como já aconteceu em Israel.
Contudo, não rejeitou explicitamente a possibilidade de um Governo de unidade nacional em que assumisse o cargo de primeiro-ministro, com Netanyahu ou o seu partido, o Likud, sob a sua liderança.
Esta hipótese enfrentaria, porém, um obstáculo legal: embora nada o impeça de se tornar primeiro-ministro, Netanyahu, que está a ser julgado por corrupção, não pode, paradoxalmente, ocupar um cargo ministerial.
Apesar da forte polarização no país, esta possibilidade está no centro da campanha eleitoral.
Na semana passada, um dos líderes do bloco da oposição, o antigo primeiro-ministro Naftali Bennett, afirmou que não teria problemas com a presença de Netanyahu num Governo liderado pela oposição.
Por sua vez, o ministro da Segurança Nacional israelita, Itamar Ben Gvir, uma figura central da extrema-direita no atual Governo, tem, nos últimos dias, acusado o primeiro-ministro de pretender afastá-lo para se aliar a Eisenkot após 27 de outubro.
Uma sondagem divulgada a 16 deste mês, indica que 55% dos inquiridos prefeririam um Governo de unidade nacional a novas eleições, caso o escrutínio não permita alcançar uma maioria clara.
No entanto, em 2020, quando Netanyahu e o centrista Benny Gantz chegaram a um acordo de partilha do poder, apesar da profunda animosidade entre ambos, após três eleições em menos de um ano, ficou prevista uma rotação no cargo de primeiro-ministro. Esse Governo, porém, durou apenas 13 meses.
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