Israel destrói todas as casas de comunidade palestiniana na Cisjordânia
I magens partilhadas pela organização não-governamental (ONG) israelita mostram casas e outras construções destruídas, deixando 70 pessoas, incluindo 28 crianças, desalojadas.
O COGAT, o organismo militar israelita responsável pela gestão dos assuntos civis na Cisjordânia, afirmou à agência de notícias EFE que as demolições visaram "estruturas ilegais erguidas dentro de um campo de tiro" do exército.
"A operação foi realizada de acordo com as autoridades e procedimentos competentes, tendo em conta as prioridades de execução e as considerações operacionais", acrescentou o porta-voz do COGAT.
A aldeia palestiniana encontra-se totalmente dentro da Área C, que está sujeita a controlo civil e militar de Israel.
Os campos de tiro foram criados por Israel nos últimos anos em vastas zonas áreas na Área C, sendo vedada a permanência de civis, apesar de várias comunidades palestinianas se estabelecerem no local.
Como antecedente deste caso, segundo a imprensa israelita, está uma decisão do Supremo Tribunal de Justiça de 2022 sobre petições apresentadas por habitantes da região, determinando que as famílias palestinianas não residiam no local antes de ser declarado zona de tiro, negando a sua permanência.
"Ao fazê-lo, permitiu que o Estado expulsasse imediatamente os residentes e destruísse as suas comunidades", condenou a B'Tselem, em comunicado, a propósito da decisão do tribunal, que acusa de "selecionar tendenciosamente os factos e basear-se numa interpretação jurídica absurda".
A organização referiu no comunicado que Khirbet al-Taban é a 66.ª comunidade palestiniana completamente deslocada desde os ataques do grupo islamita palestiniano Hamas no sul de Israel, em outubro de 2023, que desencadearam a guerra na Faixa de Gaza e abriram um período de escalada da violência na Cisjordânia.
De acordo com a B'Tselem, estas 66 comunidades juntam-se a outras 18 parcialmente deslocadas.
A ONG contabilizou 4.931 palestinianos, incluindo 2.339 crianças e adolescentes, removidos à força das suas casas na Cisjordânia durante este período, numa ação que descreve como parte de uma política de "limpeza étnica", enquanto "o mundo continua inerte".
Desde 2023, os palestinianos na Cisjordânia enfrentam um aumento substancial das restrições de movimentos, a par de casos que se tornaram quase diários de violência protagonizados por colonos extremistas e de operações militares frequentes do exército.
Segundo a agência da ONU para os refugiados palestinianos (UNRWA), entre outubro de 2023 e 24 de julho de 2026, 1.122 palestinianos, dos quais pelo menos 246 eram crianças, foram mortos na Cisjordânia ocupada, incluindo Jerusalém Oriental.
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