Associação comercial de Leiria critica resposta das seguradoras
O presidente da Associação de Comércio, Indústria, Serviços e Turismo da Região de Leiria (Acilis), Lino Ferreira, criticou hoje a resposta das seguradoras aos lesados do mau tempo que atingiu gravemente aquele território no início do ano.
"Tivemos aqui um problema muito grave, que ainda está a ser neste momento, que é a questão dos seguros. Os seguros não funcionaram e, quando funcionam, pagam 50% ou 60% do valor real dos custos que as pessoas tiveram", afirmou Lino Ferreira.
O dirigente foi hoje ouvido no Parlamento, na comissão eventual para a Resiliência Nacional, Prevenção de Catástrofes Naturais e Acompanhamento do Portugal Transformação, Recuperação e Resiliência (PTRR), fazendo-se acompanhar do vice-presidente da Acilis Pedro Neto.
O PTRR é um programa de resposta à catástrofe climática que assolou várias regiões do país entre 28 janeiro (depressão Kristin) e 15 de fevereiro, e que visa preparar o país "para um futuro mais seguro, resiliente e competitivo", segundo o Governo.
Na audição, durante a qual deu nota dos prejuízos que associados reportaram, Lino Ferreira declarou que "os seguros têm andado nitidamente a brincar com a população e com as empresas, pagam o que querem e o que apetece e ao tempo que querem, às horas que querem".
Por outro lado, considerou que aos "apoios estatais, em termos de Banco [Português] de Fomento, as pessoas não aderiram muito porque era gerar dívida na sua própria empresa", notando tratar-se de um "empréstimo normal".
Outro problema prendeu-se com a burocracia: "Muitas das vezes as pessoas desistem porque a confusão é tanta, a burocracia é tanta...", lamentou, opinando que "a burocracia é criada exatamente para as pessoas não irem a estas coisas [recurso a apoios]", pelo que "há que simplificar as coisas, não só para isto, mas para o futuro".
Este responsável destacou, pela positiva, os apoios do Instituto de Emprego e Formação Profissional e da Segurança Social, que "funcionaram muito bem", mas foi pena ser pouco tempo", assim como "as respostas do poder local, transversal às Câmaras" de Leiria, Batalha e Porto de Mós, área de intervenção da Acilis.
Neste último caso, salientou ser "efetivamente 100%", mas o mesmo não disse do poder político, que "apareceu tarde com promessas que não foram cumpridas".
Lino Ferreira admitiu ainda que a Estrutura de Missão para a Recuperação da Região Centro "está muito limitada", assumindo dificuldades em contactar o seu coordenador, Paulo Fernandes, que "está a fazer um bom trabalho", sem conseguir "chegar a todo o lado, nem ter resposta para tudo".
O presidente da Acilis adiantou que, quase oito meses após a depressão Kristin, "houve três estabelecimentos que fecharam", alertou para a existência de um "descontentamento total" e defendeu que em matéria de desastres naturais não deve haver cor política.
Já Pedro Neto disse que à data de hoje existem "algumas localidades com problemas de abastecimento de eletricidade", a que se somam problemas de comunicações e em estradas, "o que economicamente é muito mau".
"É uma região com um pendor exportador muito forte e problemas de comunicações, problemas de falhas de eletricidade (...) colocam entraves enormes àqui
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