Movimento Missão Escola Pública exige reforço do investimento em Educação
O movimento de professores Missão Escola Pública (MEP) considerou hoje que inverter a trajetória das aprendizagens exige mais do que identificar os erros do passado e exige, entre outras medidas, um reforço do investimento público em Educação.
Numa posição que surge após audições do ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre, e do seu antecessor, João Costa, na Comissão de Educação e Ciência, sobre os resultados do PISA (Programme for Interacional Student Assessment, publicados em setembro), o MEP começa por pedir que o debate deixe de estar centrado "na comparação entre as políticas educativas anteriores e posteriores a 2015, ignorando outros fatores determinantes para a evolução das aprendizagens".
"Muito já se escreveu e muitas explicações foram apresentadas. Algumas identificam fatores que a MEP também considera relevantes. Mas reduzir duas décadas de evolução das aprendizagens às alterações curriculares e à avaliação externa é insuficiente", lê-se na posição enviada à agência Lusa.
Assim, este movimento de professores exige um reforço do investimento público em Educação para recuperar "progressivamente os níveis de investimento recomendados pela OCDE [Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico] e garantindo às escolas os recursos necessários para melhorar as aprendizagens" e faz outras propostas específicas para o setor.
Para o MEP, é necessária uma "revisão profunda das Aprendizagens Essenciais, recentrando o currículo no conhecimento, no rigor e na exigência".
O movimento também propõe "avaliação externa com impacto na classificação dos alunos, com uma ponderação de 20% no 4.º ano, 25% no 6.º ano e 30% no 9.º ano", bem como o "regresso aos quatro exames obrigatórios no ensino secundário, com uma ponderação de 30% na classificação final".
"Mas nenhuma destas medidas produzirá os resultados desejados se não existirem professores suficientes para as concretizar. Não é possível recuperar a exigência numa escola que não consegue garantir professores a todos os alunos", alerta o MEP.
Numa posição de seis páginas que faz também uma análise aos dados do PISA, o movimento insiste que "há mudança estrutural que não pode ficar fora desta discussão" que é "a falta de professores".
"A falta de professores continua praticamente ausente do debate sobre a evolução das aprendizagens. Para a MEP, esta é uma variável determinante que não pode continuar a ser ignorada. Em 2003, Portugal teve 5.621 diplomados em cursos de formação de professores.
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