Surdos sem acesso direto ao 112 há quase cinco anos
Desde que a linha de apoio deixou de funcionar, em dezembro de 2021, que os cidadãos surdos não têm forma de contactar com os serviços de emergência de forma autónoma, revela o Jornal de Notícias (JN) nesta quinta-feira . Hélder Nunes, presidente da Associação de Famílias e Amigos dos Surdos (AFAS), denunciou, ao JN, que “a população surda foi devolvida a um estado de dependência primitiva”.
A aplicação MAI 112, além de permitir que fosse realizada uma videochamada entre a pessoa surda, um operador do Centro de Orientação ao Doente Urgente e um intérprete de Língua Gestual Portuguesa (LGP), tornava possível partilhar a localização geográfica e enviar mensagens de texto.
A falta de um serviço direto de emergência não afeta apenas a população surda que precise de socorro, mas prejudica também aqueles que estejam em perigo e que a única pessoa capaz de pedir ajuda seja surda. Hélder Nunes revela que a AFAS recebe relatos deste tipo de dificuldades. A associação defende, por isso, segundo o JN, a criação de um sistema acessível, integrado no sistema de emergência e que seja financiado pelo Orçamento do Estado.
Em março, o presidente da Assembleia da República, Aguiar-Branco, levou o tema para o Parlamento e recomendou ao Governo a reativação do MAI112 com pleno acesso à aplicação, 24h por dia, 7 dias por semana. Por sua vez, o ministro da Administração Interna, Luís Neves, revelou ao JN que “só recentemente tomou conhecimento da situação”, mas que já está a fazer a sua “análise e enquadramento” e promete voltar ao caso quando “reunir as informações necessárias para definir melhor o ponto de situação”.
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