Papa, um cargo sem substituto à altura
O tema vem a terreiro de cada vez que o pontífice da Igreja Católica é hospitalizado, como acontece nesta terça-feira com Leão XIV : que poderes e tarefas são delegados durante o seu impedimento? A questão surge uma e outra vez, e em parte porque há zonas cinzentas no Código de Direito Canónico.
Contando com uma recuperação de uma semana à cirurgia para extração de um nódulo pulmonar, o papa cancelou todas as audiências até dia 20.
E atribuiu ao decano do Colégio dos Cardeais, o filipino Luis Antonio Tagle, a tarefa de ministrar a missa na Basílica de São Pedro.
Além disso, para a administração corrente, quem substitui o papa em caso de ausência temporária é o cardeal camerlengo — o mesmo que é encarregado da transição entre pontificados —, sendo que o cargo é ocupado pelo irlandês Kevin Farrell.
Questão mais complexa é a substituição política e religiosa.
Durante o período em que Robert Francis Prevost estiver inconsciente não há ninguém que, de forma oficial, substitua o líder da Igreja Católica.
Em termos hierárquicos, o secretário de Estado é quem desempenha as mais altas funções políticas e diplomáticas a seguir ao papa.
O italiano Pietro Parolin é secretário de Estado desde 2013, ou seja, desde o papado de Francisco.
Durante a hospitalização do papa argentino, Parolin manteve o acesso direto ao jesuíta para tratar dos temas mais sensíveis.
Outra questão associada é a ausência de regras claras sobre a incapacidade permanente do papa.
Ou antes, o que o Direito Canónico estipula é que apenas o papa pode renunciar de forma livre ao poder.
Como disse o advogado canónico Nicholas Cafardi à Associated Press aquando da hospitalização de Francisco, "A autoridade do papa é suprema, total e universal".
Logo, "não há ninguém acima dele" .
Segundo o Direito Canónico, nada pode ser alterado na governação da Igreja Católica quando a Sé Apostólica estiver “vacante ou totalmente impedida”, sem explicitar o que fazer em cenários de impedimento do seu chefe.
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