Ucrânia pode produzir mísseis Patriot, mas Rubio avisa: "Demora anos"
"I sso está a ser negociado neste preciso momento, mas não é uma solução imediata", respondeu Marco Rubio, quando questionado numa entrevista à estação Fox News sobre se opunha a que os Estados Unidos (EUA) concedessem essa licença à Ucrânia.
"Aumentar a produção, mesmo que se disponha de uma licença, é um processo que demora vários anos — o tempo necessário para construir essas fábricas — e trata-se de armas extremamente sofisticadas", adiantou Rubio no programa de rádio de Brian Kilmeade, na Fox News.
O chefe da diplomacia norte-americana disse mesmo que embora "o acordo possa vir a concretizar-se", "não resolverá realmente o problema a curto prazo" com que Kyiv se depara.
Durante uma recente visita a Washington, no final de julho, o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou ter "discutido licenças para a produção de intercetores Patriot" com o homólogo norte-americano, Donald Trump, que tinha afirmado na cimeira da NATO em Ancara, realizada no início desse mesmo mês, que iria fornecer a Kyiv as licenças para a construção em solo ucraniano destes mísseis.
Posteriormente, o líder da Casa Branca considerou que os Estados Unidos deviam ter "muito cuidado" antes de autorizar a Ucrânia a produzir mísseis para os sistemas norte-americanos de defesa antiaérea Patriot.
"Estas armas são incríveis. Temos de ter muito cuidado antes de deixar alguém produzi-las", afirmou Trump, referindo-se também aos mísseis Tomahawk.
Ainda na entrevista à Fox News, Rubio afirmou que, neste momento, "o mundo inteiro está a pedir mais mísseis intercetores aéreos", incluindo os "países do Médio Oriente".
"É apenas uma questão de disponibilidade. E, obviamente, tenho de lembrar às pessoas que os Estados Unidos têm necessidades. Temos as nossas próprias necessidades de defesa; temos os nossos próprios requisitos de defesa. E antes de podermos ajudar os outros, temos de garantir que os nossos 'stocks' são sempre suficientes", prosseguiu Rubio.
Ainda na semana passada, um responsável da defesa dos Estados Unidos na Europa e um responsável da NATO revelaram à agência noticiosa Associated Press (AP) que as Forças Armadas norte-americanas estão a enfrentar uma escassez crítica de mísseis intercetores no continente europeu, devido ao elevado consumo na guerra com o Irão.
Hoje nas declarações à Fox News, Rubio sentiu a necessidade de comentar as alegações de escassez de armamento, apontando que o que tem sido noticiado sobre os 'stocks' dos Estados Unidos "é impreciso".
"Considero isso perigoso, porque, de certa forma, os nossos adversários leem essas notícias e acreditam que são verdadeiras, tentam pôr-nos à prova e isso pode conduzir a um conflito", argumentou.
"Temos os nossos próprios requisitos mínimos, e estes têm sempre de ser cumpridos antes de podermos fornecer ajuda a outros", continuou Rubio.
Tanto Kyiv como Moscovo intensificaram os seus bombardeamentos de longo alcance nos últimos meses, à custa de um número crescente de vítimas civis, mais de quatro anos após o início da invasão russa em grande escala da Ucrânia.
A defesa contra mísseis balísticos, particularmente difíceis de intercetar, é uma prioridade absoluta para Kyiv.
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