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Leonardo Di Costanzo: “Quis olhar a maldade de frente"

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Leonardo Di Costanzo: “Quis olhar a maldade de frente"

Novo filme do napolitano Leonardo Di Costanzo, Elisa — digamo-lo sem rodeios — é uma investigação psicológica à mente de uma assassina. Ao longo do filme, Alaoui, um criminólogo francês (Roschdy Zem), visita na prisão a personagem do título (Barbara Ronchi), condenada a uma pena de 20 anos por ter morto a irmã mais velha e reduzido o cadáver a cinzas. O presente do filme é assaltado por flashbacks do crime, viagem sem regresso à memória do homicídio, ocorrido dez anos atrás. Foi este o filme que Di Costanzo, com quem conversámos esta semana por video-chamada, mostrou a concurso no Festival de Veneza do ano passado , inspirado no caso verídico de Stefania Albertani (também conhecido por ter-se tornado o primeiro caso judicial em Itália em que a neurociência foi aplicada). Não é assunto fofinho, que suscite vontade de “entretenimento”. Se anda à procura de Cinderelas, o melhor é ficar à porta.

Quando Elisa começa, o crime da história é passado. No entanto, o presente é assombrado pelo que aconteceu e o filme retira disso uma tensão que evoca o thriller. O que é que o levou a construir a narrativa desta maneira? Quando fazemos uma escolha narrativa ou dramática, ou quando organizamos um determinado relato, o próprio tema abordado acaba por dar-nos uma indicação do caminho a seguir. Aconteceu-me isto nos meus filmes anteriores. É algo que me faz pensar no cinema de Francesco Rosi [1922-2015, também ele napolitano e autor de Salvatore Giuliano e O Caso Mattei , entre outros]. Quando Rosi se apaixonava por um tema, por algo que o tocava profundamente, perguntava-se qual seria a melhor forma de o fazer e, nesse confronto entre ideias e possibilidades, inventava uma forma de fazer. Podia assim passar de uma espécie de quase-reportagem, em que assumia o papel de jornalista de investigação, a abordagens neo-realistas ou coisas assumidamente encenadas, muito mais teatrais. Os seus filmes são tão diferentes uns dos outros que, por vezes, nos perguntamos como este ou aquele puderam ser realizados pela mesma pessoa. Elisa colocou-me a mesma pergunta.

O que é que o levou a fazer este filme? O caso verídico em que ele foi inspirado? Não só. Elisa deve muito à minha experiência em Ariaferma [filme anterior de Di Costanzo, de 2021], em que trabalhei a relação entre prisioneiros e guardas prisionais. Esse filme [interpretado por Toni Servillo e Silvio Orlando] abria a possibilidade de um encontro, de um verdadeiro debate, entre esses dois grupos, que estão em lados opostos da barricada. Ao mesmo tempo, disse a mim próprio que a lógica de ter bons num lado e maus no outro de nada serviria se o delito do condenado fosse de extrema gravidade. E quantas vezes não ouvimos nós, na televisão ou na rádio, falar de alguém que cometeu um crime de sangue bárbaro, um acto horrível? Quando isso acontece, queremos saber os porquês. Procuramos entender o que aconteceu. Sentimos medo do que nos é contado.

O cinema pode combater esse medo? Eu perguntei-me se, através de um filme, poderia enfrentar essa sensação. Quis olhar a maldade de frente, sem perdão nem complacência. Sem esse gosto mórbido que consiste em ver o mal como um espectáculo que está distante.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em observador.pt — o conteúdo pertence a Observador.

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