"Atirar um tijolo" à casa do primeiro-ministro? "Não é uma ameaça séria"
O porta-voz do movimento pela habitação em protesto desde sábado no Porto, João Silveira, nega que a ameaça à casa do primeiro-ministro que surge num vídeo divulgado por São Bento esta sexta-feira seja "verdadeira".
"Estava presente e obviamente não é uma ameaça verdadeira, ou seja, estamos de microfone aberto, qualquer pessoa pode chegar à nossa beira e inscrever-se para falar.
Esta pessoa estava, de facto, chateada com toda a intervenção, com toda a violência que tinha acontecido no dia anterior, mas obviamente isso não significa que estas palavras alguma vez vão doer, ao contrário das bastonadas que levámos no dia anterior" , defendeu o responsável, em declarações à SIC Notícias.
João Silveira esclareceu ainda que a pessoa que surge no vídeo a afirmar, perante dezenas de outros manifestantes, que é "preciso descobrir o endereço da casa do primeiro-ministro e jogar um tijolo", não faz parte da organização dos protestos.
Além disso, garante que "a organização não se revê" nessas ameaças: "Como nós temos dito desde o início, somos uma organização pacífica, ordeira, calma, que está aqui para reivindicar o seu direito à habitação, a necessidade de termos mais parque habitacional público, tetos nas rendas, fim dos despejos e e regressão da lei." "Isto não necessita de passar por ocupação de casa nenhuma, como é evidente", insistiu.
Apesar dos aplausos que se assistem no vídeo, o porta-voz do movimento pela habitação garante que "não houve nunca uma proposta em cima da mesa de começar atos radicais".
"As coisas continuam pacíficas, portanto não há nenhum motivo para isto ser levado como uma ameaça séria" , assegurou ainda.
O primeiro-ministro negou hoje ter acusado os manifestantes pela habitação de egoísmo, afirmando que se referia a partidos, movimentos associativos e organizações, e disse ter visto imagens nas quais se ameaça a sua casa.
Pouco depois, o gabinete do primeiro-ministro divulgou à imprensa o vídeo a que se referia Luís Montenegro, no qual se vê um indivíduo a afirmar numa manifestação, perante dezenas de pessoas, que é "preciso descobrir o endereço da casa do primeiro-ministro e jogar um tijolo".
"Acabou essa porra de ser pacífico.
É para queimar alguma coisa, sim", afirma esse manifestante.
Na noite de quinta-feira, a partir das 19h00, cerca de três mil pessoas concentraram-se para manifestar pelo direito à habitação, na sequência de uma acampada que começou no sábado e teve intervenção de limpeza municipal na segunda-feira, primeiro, e uma carga policial na madrugada de quinta-feira, depois, da qual resultaram quatro dezenas de feridos, com a organização a garantir ter sido sempre pacífica e a PSP a defender que houve "resistência".
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