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Ucrânia. Ataque a comboio mostra pressão sobre Moscovo?

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Ucrânia. Ataque a comboio mostra pressão sobre Moscovo?

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Recebemos na Rádio Observador, para o Gabinete de Guerra, o historiador Bruno Cardoso Reis. Boa tarde, Bruno. Vamos começar esta edição com esse ataque a um comboio na Ucrânia, ataque a uma linha de comboio a 1 km, pouquíssima distância da fronteira com a Polónia. Este é o tema em destaque durante o dia de hoje. Já muita gente falou. A NATO diz que o ataque russo é um ato de desespero de Vladimir Putin. Moscovo desvaloriza e diz que atacou território ucraniano, como sempre têm feito. Que análise faz deste incidente? Até porque é preciso ter em conta que tinha passado nesta mesma linha um comboio que transportava o antíprimeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, e vários outros diplomatas. Também tinha passado por lá, minutos antes, o antigo diretor da CIA e a empresa ferroviária estatal ucraniana diz que é muito provável que o ataque fosse dirigido ao comboio que transportava Boris Johnson.

Acho que é provavelmente um sinal, realmente, que a Rússia se sente sob pressão. Há notícias, por exemplo, que têm tido problemas sérios na linha da frente, a par de todos estes ataques em profundidade, têm continuado a sofrer na zona de Lyman. Portanto, havia aqui uma estratégia de envolvimento das chamadas cidades fortificadas nesta zona do Donbass e aparentemente a Tenage, mais a norte, ficou bastante afetada por uma contraofensiva ucraniana. Embora, tudo isto precise sempre de confirmação e a realidade é muito dinâmica, mas em todo caso, pode ser uma explicação. Portanto, esta ideia de que as coisas não estão a correr bem no campo de batalha. Por um lado, é preciso desviar atenções, mostrar poder também internamente e tentar aumentar desesperadamente a pressão sobre os ucranianos e sobre os aliados europeus da Ucrânia, que utilizam, de facto, muito estas ligações ferroviárias entre a Polónia e a Ucrânia, porque importa lembrar isso. A Ucrânia não tem a possibilidade de utilizar meios aéreos, portanto não tem aviação civil a funcionar desde o início do conflito. Agora, é verdade aquilo que diz o porta-voz russo, realmente a Rússia sempre atacou todo o território ucraniano. O grande problema, do meu ponto de vista, é que muitas vezes atacou não apenas o território ucraniano, mas território vizinho. Neste caso, mais uma vez, estamos a falar de ataques a poucos quilómetros da linha de fronteira, 2 ou 3 km da linha de fronteira com a Polónia. E portanto, se calhar, o problema é que realmente não houve uma resposta suficientemente robusta, suficientemente dissuasora dos países europeus. Há muito tempo, por exemplo, que me parece que se podia ter pensado, e seria até do interesse desses países vizinhos da Ucrânia, que têm por vezes sido atingidos, nomeadamente a Polónia e a Roménia, avançar com uma defesa aérea avançada.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em observador.pt — o conteúdo pertence a Observador.

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