"Não beberia água da torneira": Alerta sobre água na Praia da Vitória
O antigo professor da Universidade dos Açores Jorge Pinheiro disse hoje que as águas subterrâneas do concelho da Praia da Vitória, na ilha Terceira, deviam ser analisadas, devido ao risco de contaminação da rede pública.
"Muito sinceramente, e muito abertamente, o risco que porventura possa existir, neste momento, em diversas zonas da Praia da Vitória tem a ver com águas subterrâneas que possam vir a contaminar a extração de águas para consumo humano", afirmou o investigador, durante uma audição na comissão de Assuntos Parlamentares, Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Assembleia Legislativa Regional, reunida em Ponta Delgada.
Jorge Pinheiro foi um dos investigadores que participou, em 2016, num estudo sobre a contaminação de solos e aquíferos, realizado pela academia açoriana, mas que apenas analisou locais identificados pelos norte-americanos como sendo os mais problemáticos, deixando de fora os terrenos onde terão sido depositadas lamas e resíduos resultantes da limpeza dos tanques de combustíveis da Base das Lajes.
"Se, porventura, houvesse informação localizada de zonas de enterramento dessas lamas efetivamente elas teriam de ser tratadas, no sentido de pelo menos isolar essas zonas e ver até que ponto há risco para as águas subterrâneas", disse Jorge Pinheiro, durante a audição parlamentar.
O antigo investigador, agora reformado, defende mesmo que os atuais furos de abastecimento de água no concelho da Praia da Vitória deviam ser encerrados e substituídos por outros, como medida de precaução, nem que seja "por razões psicológicas" para quem lá vive.
"E isso faz-se promovendo a recolha de água noutras zonas da ilha e fechando aqueles dois ou três furos que ainda estão ativos, mesmo que não apresentem dados analíticos que suscitem risco ambiental ou para a saúde pública", insistiu Jorge Pinheiro, admitindo que se morasse na Praia da Vitória não iria beber água da torneira.
Um risco que, no seu entender, não afeta a erva, nem as vacas que pastam na Base das Lajes, ao contrário das preocupações que foram suscitadas em tempos pela comunicação social.
"As raízes das ervas localizam-se em 90% até aos 12/15 centímetros de profundidade, portanto, tudo o que for abaixo dos 30 centímetros não vai causar dano imediato.
É por isso que as vacas da Base das Lajes comem tranquilamente a erva ali daquela zona e não lhes acontece, para já, mal nenhum", explicou.
Os deputados estão a realizar várias audições para decidir se se justifica criar uma Comissão Técnica Independente, como propõem vários partidos com assento parlamentar, para investigar melhor a contaminação de solos e aquíferos na Terceira.
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