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Uma cigana de direita

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Uma cigana de direita

Mariana nasceu em ‘ventre’ cigano, pois a sua família materna tem essa ascendência. Mas, nunca viveu integrada na comunidade por decisão familiar, assim como também nunca renunciou claramente à etnia. Ou seja, não se ‘vê’ cigana, mas convive muito naturalmente com os amigos ciganos que muito bem considera. Talvez a ligação do antepassado seja mais forte, a veia que ativa o sentimento (algo muito darwinista, diria). O retrato verídico da Mariana interessou-me e manifestei-o de forma não velada quando a entrevistei (de fictício apenas aqui traz o nome).

Filha de pai muçulmano e de mãe cristã (identificou assim a mãe). Neta de avós portugueses ciganos e de indianos (parte materna e paterna, respetivamente). Não assume nenhuma prática religiosa, conhece bem mesquitas e igrejas, mas admite que admira muito o Santuário de Fátima. Escutei-lhe a palavra ‘crença’ quanto a Fátima. Conta que os pais decidiram desde cedo nunca impor ou orientar uma fé, contudo não ocultando o plural bonito religioso e cultural de que é feito o seu berço.

Perguntei sobre a questão corrente de se apelidar ‘cigano’ ou ‘romani’ ou ‘pessoa de etnia cigana’, sobre qual é a não ofensiva. Ela rapidamente, sem rodeios, reiterou que chamar uma pessoa cigana de ‘cigana’ não é ofensa alguma e que nunca o foi. Em que contexto seja, senão não seria o nome, aliás nem a etnia poderia ser reconhecida.

Há uma convenção desde a civilização suméria: as referências para serem reais e admitidas têm de ter nomes específicos. Já a entoação que lhes atribuímos é outro assunto e cabe a cada falante saber assumir o tom correto. Agora fui eu a estender-me sobre a denominação sociocultural da situação (dos nomes e das coisas).

Mariana marca presença em vários casamentos ciganos, como amiga e convidada. Porém, são casamentos ‘normais’, isto porque não concorda com casamentos de crianças com crianças e ainda os há de crianças com adultos na comunidade. Seja em que nação for. Reconhece que é considerado tradição ancestral e de preservação da etnia, mas que não tem lógica na atualidade.

A Mariana sente-se afortunada por ser uma pessoa com tal multiculturalidade e várias matrizes religiosas, sendo que se destaca bem o seu orgulho português. Por tal mencionou a sua experiência emigrante durante pouco tempo por motivos financeiros (como milhares de portugueses que abandonam pontualmente o seu lar portucalense para procurarem vida justa), tendo assinalado o custo abusivo da alimentação e da habitação em Portugal. Aliás, interessante ter referido que há casais que só coabitam por uma questão de divisão de despesas, neste país. Não por amor, então. Todavia, no seu caso diz-se uma pessoa muito grata e a quem nada falta. Achei-a bastante pia, no sentido mais lato e bonito da palavra.

Quis ir ainda além, extrapolei a questão para a política por causa dos tempos de contingência: admitiu que é de direita, mas que todos os partidos têm o seu contributo. Não se demorou nesta parte, aceitei. Mas, acrescentou que é importante que as pessoas que entram no país tenham de respeitar as suas regras e formas sociais.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em observador.pt — o conteúdo pertence a Observador.

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