Espanha cria 1.500 lugares de acolhimento temporário em Ceuta
"A colaboração entre as instituições é essencial para o restabelecimento da normalidade em Ceuta o mais rapidamente possível", afirmou Saiz.
As instalações serão montadas no parque de estacionamento do centro de acolhimento de Loma del Colmenar, num centro hípico, no antigo campo de futebol do quartel da Cavalaria e na zona conhecida como El Guano.
Saiz chegou no domingo à noite a Ceuta e reuniu-se hoje com o presidente da cidade autónoma, Juan Jesús Vivas, e com o delegado do Governo espanhol, Miguel Ángel Pérez Triano, tendo sido recebida com vaias à chegada ao encontro.
Elma Saiz recordou que o seu ministério declarou há alguns dias uma situação de emergência em Ceuta e disponibilizou 6,5 milhões de euros para reforçar a resposta humanitária no enclave espanhol situado no extremo norte de Marrocos, atribuindo à Cruz Vermelha um papel prioritário na assistência às pessoas consideradas mais vulneráveis.
Segundo Saiz, a organização internacional está a distribuir cerca de 4.000 'kits' alimentares diariamente e prestou já mais de 4.000 serviços de assistência social e de saúde desde o início da crise.
A governante reconheceu igualmente o trabalho desenvolvido por outras organizações sociais e associações de moradores envolvidas na assistência aos migrantes.
Saiz defendeu que o sistema de acolhimento espanhol é "flexível" e enquadrou a criação dos novos espaços temporários na adaptação dos recursos disponíveis às necessidades provocadas pelo aumento das chegadas.
Questionada sobre a sobrelotação do Centro de Estadia Temporária de Imigrantes (CETI) e sobre os milhares de migrantes que permanecem instalados na praia de Trampolín, a ministra afirmou que o Governo está a "avaliar" a situação, sem fornecer números atualizados sobre a ocupação daqueles espaços.
A ministra assegurou ainda que Madrid está a atuar "em estrita conformidade com a legislação em vigor", tanto nacional como europeia, quando questionada sobre se os migrantes que chegaram a Ceuta serão acolhidos ou expulsos.
Saiz afirmou que o executivo liderado pelo primeiro-ministro Pedro Sánchez defende uma migração "regular, ordenada e, acima de tudo, segura", considerando a imigração irregular uma "tragédia humanitária" que pode provocar a perda de vidas.
A ministra elogiou, por outro lado, a resposta da população de Ceuta, que classificou como um "exemplo de convivência", mas alertou para tentativas de aproveitar a crise migratória para disseminar "discursos de ódio" e gerar medo.
No fim de semana, centenas de migrantes que tentavam chegar ao enclave espanhol de Ceuta por terra e por mar foram detidos pelas forças de segurança de Marrocos, noticiou a televisão estatal marroquina.
Segundo a emissora estatal marroquina Medi 1 TV, 294 migrantes da África Subsariana foram detidos no sábado quando tentavam entrar em Ceuta.
Foram ainda detidos pelas autoridades 61 marroquinos acusados de facilitar as tentativas de migração, também de acordo com a Medi 1 TV.
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