Quer comprar um camelo? Agora existe uma aplicação para isso
A cidade de Al Ain, nos Emirados Árabes Unidos (EAU), é conhecida pelo seu mercado de camelos. Todos os dias, os turistas posam para fotografias com estes herbívoros corcundas, enquanto comerciantes de toda a região regateiam e fecham negócios.
Agora, está a surgir um novo tipo de comércio de camelos em Al Ain. No final de 2024, a startup Hign Al Khaleej, cujo nome pode ser traduzido aproximadamente como “camelos do Golfo”, lançou uma plataforma digital para a compra, venda e leilão de camelos. Em 2025, contava já com mais de 15 mil utilizadores na aplicação e no site, segundo revelou o seu fundador e CEO, Jaber Al Ahbabi, à CNN.
Durante séculos , os camelos desempenharam um papel importante na vida em toda a região do Golfo, funcionando como transporte e fornecendo carne, leite, couro e lã. Os animais ainda são reverenciados hoje em dia, e o emirado de Abu Dhabi, onde se localiza a cidade de Al Ain, tem uma população de cerca de 500 mil camelos.
Os camelos são uma grande atração para os turistas, que visitam mercados de camelos como o de Al Ain ou fazem passeios de camelo em excursões pelo deserto. Mas eles são usados principalmente para a produção de leite ou em corridas de camelos — um desporto popular em toda região do Golfo — e concursos de beleza de camelos.
Uma vitória numa corrida ou num concurso de beleza importante pode render ao vencedor um prémio monetário significativo. Por exemplo, estão em jogo 97 milhões AED (23 milhões de euros) nos concursos de beleza do Festival de Camelos Al Dhafra deste ano, em Abu Dhabi, que decorrerá desde o final de outubro até meados de janeiro.
Isso cria um mercado dinâmico para os animais, que hoje em dia são vendidos principalmente em mercados, leilões e através de vendas particulares. Podem atingir valores altíssimos. Num leilão realizado em Abu Dhabi em 2025, 15 camelos foram vendidos por um total de 1,77 milhões de AED (41,5 milhões de euros). Um camelo foi arrematado por por 500.000 AED (117 mil euros) após uma intensa disputa de lances, segundo a imprensa local . Alguns camelos de elite já foram comprados e vendidos por milhões.
Al Ahbabi, cuja família criava e competia com camelos quando ele era criança, afirma que o mercado de comércio de camelos está pronto para uma transformação. O processo não é eficiente em termos de custo ou tempo, diz. "É uma atividade tradicional profundamente enraizada na nossa história e na cultura, por isso o sistema de compra e venda de camelos é bastante antiquado."
Para um vendedor, vender um camelo pode implicar transportar o animal numa carrinha por longas distâncias para se encontrar com potenciais compradores, sem qualquer garantia de venda, explica Al Ahbabi, um antigo funcionário público que agora trabalha a tempo inteiro no desenvolvimento da aplicação. Os potenciais compradores também enfrentam deslocações longas. Para adquirir um camelo na Arábia Saudita, podem ter de voar até lá para verificar o stock sem muita informação prévia. Além disso, os camelos são geralmente criados e vendidos em zonas desérticas fora das cidades.
O comércio de camelos tornou-se demasiado caro e complicado para muitos compradores e vendedores, afirma.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em cnnportugal.iol.pt — o conteúdo pertence a CNN Portugal.