Recolher obrigatório a caminho do estado de emergência: França aperta regras após fim de semana violento
França vai tomar medidas, incluindo o recolher obrigatório em várias cidades, para lidar com a onda de protestos e tumultos nas suas ruas, uma situação que começa a preocupar o governo italiano, enquanto outros países observam à distância.
O primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, justificou a iminente implementação dos recolheres obrigatórios, sem especificar quais as áreas, como um passo para a declaração do estado de emergência, que concede maiores poderes às forças de segurança.
"Trata-se de um recolher obrigatório localizado e parcial, e penso que, neste momento, é uma medida mais adequada do que declarar o estado de emergência", afirmou Lecornu, enquanto vários autarcas das cidades afetadas criticaram a resposta policial, considerando-a inadequada.
Em relação às medidas de apoio aos trabalhadores das empresas afetadas pelos distúrbios, Lecornu ofereceu uma interpretação política dos incidentes, que atribui à extrema-esquerda e que, segundo ele, visam "questionar o calendário e a realização das eleições presidenciais", agendadas para daqui a seis meses.
Às 08:00 desta segunda-feira, 2.331 pessoas permaneciam sob custódia policial devido aos distúrbios e pilhagens, segundo o Ministério da Justiça, que indicou que 70% eram adultos e que o Ministério Público estava a solicitar a prisão preventiva em mais de 80% dos casos.
Itália, que faz fronteira com França, observa a situação do outro lado com preocupação, e a primeira-ministra Giorgia Meloni convocou esta segunda-feira uma reunião com os seus ministros e dirigentes de outras instituições para analisar a situação da ordem pública após os tumultos do fim de semana em Milão (norte de Itália) e entre os protestos contra o aumento dos preços dos combustíveis no sul do país.
Milão, a capital económica do norte de Itália, bem como outras cidades próximas, como Turim e Bolonha, registaram este fim de semana manifestações contra o aumento do custo de vida.
Estes protestos degeneraram em cenas violentas de guerrilha urbana e saques a lojas nos centros das cidades. Por outro lado, o descontentamento também chegou ao sul do país, que tem sido abalado desde a passada sexta-feira pelos protestos dos camionistas contra o aumento dos preços dos combustíveis, que já começam a faltar em algumas zonas.
Por sua vez, o governo alemão declarou que acompanha a situação em França com preocupação, embora descarte uma propagação da violência para a Europa.
"Naturalmente, as imagens que todos vimos, tanto em Paris como em Limoges, enchem-nos de grande preocupação", disse a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Kathrin Deschauer, numa conferência de imprensa regular, condenando a violência nas ruas.
A Comissão Europeia manifestou um sentimento semelhante, classificando os atos violentos em França como "inaceitáveis" e, embora defendendo o direito fundamental ao protesto pacífico, apoiando os esforços das autoridades francesas para garantir a segurança.
Na Albânia, os protestos estudantis contra o governo do socialista Edi Rama entraram este domingo no sexto dia.
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