Estará a Europa cada vez mais exposta à ameaça russa?
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Começa depois das 10 com José Manuel Fernandes. Pode participar em direto, deixar o seu comentário na transmissão vídeo ou usar o nosso número de telefone 910 024 185. Carla Jorge de Carvalho, vamos até à Rússia com amor neste "Contra Corrente" de hoje.
É o que vamos ver. As eleições deste fim de semana, de facto, não correram mal a Vladimir Putin. Na Rússia, o seu partido obteve a vitória que se esperava por uma margem ainda maior, o que não sendo surpresa, pode deixar o Kremlin mais à vontade para aumentar a mobilização militar. Já na Alemanha, a vitória de dois extremos, a AfD no Meclemburgo-Pomerânia Ocidental e o Die Linke, a esquerda, em Berlim, enfraqueceu ainda mais o chanceler Merz e a coligação no poder, além de representar a vitória de dois partidos com simpatias putinistas. Tudo isto depois de semanas em que as ameaças híbridas ao espaço da União Europeia aumentaram. No "Contra Corrente", vamos precisamente querer saber até que ponto estará a Europa cada vez mais exposta à ameaça russa. Bom dia, José Manuel. Há mesmo razões para preocupação?
Eu creio que sim, apesar de não acreditar que estejamos à beira de um conflito, pelo menos um conflito convencional. Por que eu digo isto? Primeiro, as eleições na Rússia não são uma mudança de ciclo, digamos assim, porque não havia eleições desde a invasão da Ucrânia, mas também não se esperavam surpresas. A Rússia hoje em dia já nem sequer é uma democracia fingida, é mesmo um regime autoritário. Partidos, por exemplo, que se opõem à guerra, quem quer que pudesse manifestar-se contra a guerra é liminarmente proibido, portanto, não há mínimo de liberdades. E não nos esqueçamos que houve também uma encenação de votação nos territórios ocupados, nas zonas ocupadas da Ucrânia. Portanto, como se fizessem já parte da Rússia. Os dados que temos ainda são poucos, quer os relativos à participação, quer os relativos à votação, mas os primeiros resultados não apontam para nenhuma surpresa. O que isto pode dar a Vladimir Putin é mais margem de manobra para realizar alguns movimentos que aparentemente ele tem evitado, designadamente a possibilidade de recorrer a mobilizações maiores. O número de baixas na frente tem sido enorme e neste momento, até nos primeiros meses deste ano, tem havido mais baixas do que a capacidade de repor o número de soldados que estão a combater na Ucrânia. O Putin, quando fez a única mobilização especial que fez durante este período, não lhe correu nada bem. Houve inclusivamente muita gente a fugir da Rússia, muita gente em idade de ser mobilizável a fugir da Rússia e, portanto, a possibilidade de ele repetir isso era algo que se dizia que não faria antes das eleições. Agora já houve as eleições, sentir-se-á mais livre. No entanto, não é seguro que seja esse o caminho. A guerra tem evoluído para meios que de alguma forma evitam tantos soldados na frente. É uma guerra cada vez mais de mísseis e drones.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em observador.pt — o conteúdo pertence a Observador.