Modelo finlandês de preparação para ameaças é exemplo para UE
"As ameaças híbridas, como a sabotagem de infraestruturas críticas, os ciberataques e a manipulação de informação, são já uma realidade e estão em constante evolução" , referiu Paulo Cunha, que chefiou uma missão da Comissão das Liberdades Cívicas, da Justiça e dos Assuntos Internos do Parlamento Europeu (PE) à Finlândia.
Na conclusão de uma visita de três dias – que terminou na quinta-feira – o chefe da delegação do PSD no PE salientou ter ficado com "uma consciência reforçada da urgência de melhorar os instrumentos de proteção civil e de segurança interna em toda a União Europeia".
" A experiência da Finlândia, país que partilha mais de 1.300 quilómetros de fronteira com a Rússia, mostra por que razão a Europa tem de se preparar antes de as crises acontecerem" , alertou ainda o eurodeputado.
Entre terça e quinta-feira, os eurodeputados analisaram o modelo finlandês de preparação, que visa proteger a população e garantir a capacidade da sociedade para funcionar em situações de emergência decorrentes de ameaças híbridas, acidentes ou conflitos militares.
No Centro Europeu de Excelência para o Combate às Ameaças Híbridas, os eurodeputados analisaram a evolução da desinformação, da sabotagem, da interferência eleitoral e da instrumentalização da migração, bem como a cooperação entre os países da UE e da NATO para combater estas ameaças.
A delegação visitou também o abrigo de proteção civil de Merihaka, escavado em rocha granítica a cerca de 25 metros de profundidade e que é utilizado diariamente para atividades desportivas e recreativas, o espaço pode ser transformado, no prazo de 72 horas, num abrigo com capacidade para 6.000 pessoas.
Nas reuniões com o Ministério do Interior, a Guarda de Fronteiras e o Serviço Finlandês de Informações de Segurança, a delegação analisou a proteção das fronteiras terrestres e marítimas e a instrumentalização da migração na fronteira com a Rússia.
Desde agosto de 2023, mais de 1.300 cidadãos de países terceiros chegaram à Finlândia vindos da Rússia sem visto, num fluxo que as autoridades finlandesas consideram ter sido facilitado para exercer pressão sobre a segurança e a ordem pública do país.
Na origem da missão esteve o contexto geopolítico, com a UE a alertar para a intensificação das campanhas híbridas russas contra os Estados-membros.
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