A incerteza económica está a envelhecer as lideranças
Um estudo publicado em abril passado, e assinado pelos economistas Kecht, Lizzeri e Saidi, mostra que houve um envelhecimento expressivo dos presidentes executivos das empresas nos últimos anos.
Os dados concentram-se sobretudo nos EUA, mas a mesma tendência foi verificada na amostra utilizada de 19 países europeus, e englobam empresas cotadas e não cotadas.
Os economistas revelaram que a idade média de início de funções de um CEO saltou de 48 para 55 anos entre 2000 e 2023, enquanto a experiência acumulada antes da contratação também aumentou, naturalmente.
O envelhecimento das lideranças, mostra o estudo de Kecht, Lizzeri e Saidi, é particularmente significativo nas empresas que operam fora da bolsa – as grandes empresas muitas vezes desenvolvem os seus próprios quadros internamente, enquanto as empresas de menor dimensão recorrem fortemente a percursos externos diversificados, registando um envelhecimento mais acentuado na liderança, explicam os autores de Aging at the Very Top .
Portugal não foge à regra: a média da idade dos CEO em funções situa-se nos 56 anos.
No mesmo sentido, revelam outros dados publicados na semana pelo New York Post , a taxa de participação dos baby boomers – os nascidos entre 1946 e 1964 – na força de trabalho, atingiu os 19,2% nos EUA, um aumento em relação aos cerca de 12% registados na viragem do século.
Nos EUA, 42% dos CEOs em funções tinham 60 anos ou mais, um nível considerado elevado em comparação com normas históricas, escreve o mesmo jornal.
Ou seja, há mais pessoas mais velhas a trabalhar, e há líderes mais velhos a dirigir as empresas.
Os dados não deixam de causar alguma surpresa, sobretudo se pensarmos no atual momento de comunicação que vivemos: só ouvimos falar de inovação, startups , Inteligência Artificial, Tecnologia… tudo conceitos que nos remetem para juventude e energia.
Um presidente-executivo mais velho não aporta apenas experiência, mas também uma aversão ao risco que lhe é natural.
Então, o que se passa? Os especialistas apontam duas hipóteses, que possivelmente até coexistem: por um lado, muitos boomers recusam-se a sair dos cargos de direção, não apenas porque a esperança média de vida aumentou, mas também por razões psicológicas – a ideia de que a reforma nos aproxima da morte é sobretudo real nessa geração; por outro lado, o atual contexto de incerteza económica está a fazer com que muitas empresas prefiram jogar pelo seguro na escolha das suas lideranças.
Um presidente-executivo mais velho não aporta apenas experiência, mas também uma aversão ao risco que lhe é natural.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.dn.pt — o conteúdo pertence a Diário de Notícias.