Os objetos históricos no primeiro discurso de Haakon VIII
Uma secretária original de 1849, castiçais de prata oferecidos ao primeiro monarca da Noruega da era moderna, uma cadeira na qual se sentou o avô nos anos 1960, e um conjunto de fotografias de cinco gerações da família — e com uma aparição do enteado “problema”. No primeiro discurso como Rei, Haakon VIII reafirmou o legado familiar não só com palavras. Numa intervenção a partir da Sala dos Espelhos, no Palácio Real, em Oslo, o monarca cercou-se de objetos históricos da realeza — peças que representam a trajetória dos seus antepassados no trono, assim como referências à forma como pretende guiar o seu próprio reinado.
Haakon VIII discursou por pouco mais de oito minutos, e sublinhou a importância da “liberdade e independência” da Noruega, sob o risco “da própria vida” . O discurso foi proferido a partir da cadeira usada pelo Rei Olav V , o seu avô, no seu gabinete. Já a secretária fazia parte da mobília original do Palácio, e data de 1849 , quando este foi inaugurado, ainda antes da separação oficial entre os reinos da Noruega e da Suécia.
Sobre a mesa, o que salta à vista é o retrato de Harald V, a sorrir. Contudo, a secretária traz outros artefactos históricos. Os castiçais de prata , por exemplo, foram oferecidos ao Rei Haakon VII e à Rainha Maud, em 1905, quando estes assumiram a liderança da Casa Real. O casal recebeu, aliás, muitos outros presentes na ocasião da sua chegada à Noruega, em novembro daquele ano.
A secretária traz ainda outros objetos relacionados com um marco na vida de um monarca: a confirmação na fé luterana, um ritual de passagem para muitos adolescentes noruegueses, e neste caso em particular, uma obrigação constitucional para os membros da coroa. Haakon VIII faz-se acompanhar do relicário de prata oferecido ao Rei Harald V na ocasião da sua confirmação e do bloco de notas que carrega o próprio monograma, e que data de 9 de outubro de 1988, o dia em que também ele confirmou o seu compromisso, quando tinha 15 anos.
Já a caixa de prata que compõe a mesa foi um presente de casamento para Harald e Sonja, oferecido em 1968 — um objeto importante neste dia em especial, que assinala os 58 anos desde a cerimónia. Haakon, por sua vez, mencionou a data no início do discurso, num dos momentos em que ficou visivelmente mais emocionado.
Ao fundo, Haakon VIII também se cercou de elementos que falam por si só. O piano que pertenceu à bisavó , a Rainha Maud, foi decorado com retratos de cinco gerações da família . Ao fundo, Haakon VII e Maud, os primeiros reis da Noruega moderna, que ascenderam em 1905. Ao lado, Olav V e a princesa Marta, os pais de Harald V — o monarca subiu ao trono em 1957 já viúvo. Mais à frente, Harald e Sonja, numa fotografia recente.
Os outros três retratos ficaram reservados à família de Haakon: um deles em que surge ao lado do pai e da filha, representando três gerações da coroa; outro com a mulher, Mette-Marit, e os dois filhos, Ingrid e Sverre; e mais um antigo retrato oficial da família , em que o então casal de príncipes herdeiros segura os filhos ainda bebés. A posição deste último, mais ao centro, poderá não ter sido por acaso.
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