Jovens que matam pais em Portugal são casos raros, mas acontecem. Recorde
C asos de jovens que matam pais são raros em Portugal, mas acontecem e, nos últimos anos, foram vários os que chocaram o país. Aliás, em um ano e meio foram pelo menos três parricídios que abriram telejornais e fizeram manchetes.
O mais recente é o do filho de 15 anos que matou a mãe, Gabriela Barbosa, de 32, em Algés, Oeiras, na semana passada , depois de anos de violência sistemática no seio da família e com a irmã de quatro anos em casa.
Mas há menos de um ano aconteceram outros dois. Em outubro de 2025, um adolescente de apenas 14 anos matou a mãe, Susana Gravato, em Vagos, com dois tiros na cabeça, na residência da família, na Gafanha da Vagueira.
Susana Gravato, casada e mãe de outro filho além do homicida, era vereadora da Câmara Municipal de Vagos e muito querida na comunidade local.
O jovem foi condenado em abril deste ano a três anos de internamento em regime fechado num centro educativo, uma vez que, por ser menor de 16 anos "não é responsabilizado criminalmente como um adulto pois é inimputável ao abrigo do artigo 19.º do Código Penal", como explicou na altura do crime o advogado Gameiro Fernandes ao Notícias ao Minuto.
Meses antes, em abril de 2025, outro caso chocante protagonizado por dois irmãos, não menores, mas jovens, com 21 e 24 anos.
Alegadamente para defender a mãe, os dois juntaram-se e mataram o pai, de 58 anos, durante a madrugada do dia 29 de abril, no apartamento onde viviam, localizado nas Laranjeiras, em Lisboa.
O crime ocorreu na residência da família, em Lisboa, "com recurso a objetos contundente e corto perfurante".
Segundo a acusação inicial do Ministério Público (MP), o homem morreu asfixiado, após ter sido agredido com um martelo e com uma faca. Depois da morte, o corpo foi escondido num armário da habitação, tendo a família apenas comunicado os factos às autoridades três dias depois.
Num primeiro momento, após serem detidos e presentes a primeiro interrogatório judicial, ambos os irmãos ficaram em prisão preventiva. Mas a medida foi, entretanto, revogada e os dois sairam em liberdade.
Os irmãos viram ainda cair a qualificação do crime de homicídio, depois de a juíza ter tido em conta o contexto de alegada violência doméstica prolongada no seio familiar. O julgamento ainda não tem data marcada.
Os crimes de patricídio ou matricídio cometidos por menores são muito raros em Portugal e mesmo por adultos são crimes pouco comuns no nosso país. No entanto, segundo a RTP, o Observatório de Imprensa dos Crimes de Homicídio em Portugal e de Portugueses no Estrangeiro (OCH), da APAV, regista pelo menos um caso por ano.
Um dos mais famosos aconteceu em Lisboa, em 1948. O caso de Maria José, que assassinou e esquartejou a própria mãe, espalhando os pedaços do corpo pela Graça, foi tão chocante que acabou por ser imortalizado numa das primeiras publicações literárias de Camilo Castelo Branco.
Mais recentemente, em julho de 2019, em Pereira, Barcelos, um jovem de 16 anos matou o pai à machadada, por estar, como alegou, "cansado de o ouvir chegar a casa alcoolizado, insultar a mãe e das aproximações sexuais que tinha com ele".
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