Anthropic tem um laboratório secreto de biologia, e quer que a IA coordene experiências
A Anthropic confirmou que mantém um laboratório físico, onde testa fármacos e experiências biológicas reais, indo muito além da simulação por computador que caracterizava até agora o seu trabalho em ciências da vida.
Durante anos, a Anthropic desenvolveu ferramentas de Inteligência Artificial (IA) aplicadas à biologia essencialmente no domínio digital , através de modelos que analisam e preveem comportamentos moleculares.
Segundo confirmou, à Reuters , Eric Kauderer-Abrams, responsável pela área de ciências da vida da empresa, esse trabalho já saiu do computador para entrar na bancada de laboratório .
Segundo ele, a abordagem é semelhante à de outras biotecnológicas, ou seja, parte dos testes são feitos internamente e a outra parte é delegada a parceiros externos.
No entanto, um porta-voz da empresa esclareceu que este laboratório não está focado na descoberta de fármacos , sem detalhar qual é o seu propósito exato.
Curiosamente, a ambição da Anthropic é usar o Claude para dirigir unidades robóticas capazes de executar experiências científicas com intervenção humana reduzida.
A empresa sublinha que, por questões de segurança, a supervisão humana continua a ser considerada essencial , e Kauderer-Abrams descreveu este esforço de automação como estando ainda "nos primeiros minutos de jogo".
Para Dario Amodei, diretor-executivo da Anthropic, este investimento tem uma motivação pessoal , uma vez que o seu pai morreu de uma doença alguns anos antes de surgir uma cura eficaz, um episódio partilhado num ensaio anterior .
Kauderer-Abrams disse que a área das ciências da vida representa, hoje, uma das maiores apostas da empresa , tanto em recursos como em número de colaboradores.
O foco da Anthropic está em condições consideradas "não tratáveis" , nomeadamente através de anticorpos biespecíficos e triespecíficos, moléculas complexas capazes de atuar em múltiplos pontos de uma proteína ou célula.
Nos últimos meses, a empresa reforçou esta área com a integração de Vas Narasimhan, diretor-executivo da Novartis, no seu conselho de administração, e com a aquisição da startup Coefficient Bio , por um valor estimado em 400 milhões de dólares em ações.
Lançou ainda um software dedicado, o Claude Science , e tem procurado reforçar as equipas com perfis ligados a procurement e à caracterização de proteínas e ácidos nucleicos.
Apesar desta ambição, a Anthropic garante que não pretende realizar ensaios clínicos nem competir diretamente com farmacêuticas na colocação de fármacos no mercado, concentrando-se em áreas que a indústria tradicional não considera financeiramente atrativas.
As doenças concretas visadas pela Anthropic e o real estado de avanço destes projetos são, para já, desconhecidos.
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